15/12/2007

Hipocrisia Natalícia vs Amor Natalício

Agora que a noite de Natal chega ao fim sinto um aperto no coração. Tenho sempre vontade de chorar nestes dias e penso na infeliz coincidência: os anos passam, a revolta, a mágoa, e impotência permanecem. Só a insatisfação aumenta à medida que os sonhos diminuem. É uma relação proporcionalmente inversa que me corrói a esperança num amanhã melhor.
O que mais me dói é ver os olhares tristes enquanto regresso a casa, um sinal de que os valores transmitidos no Natal não chegam a todos. Família, união, sentimento de pertença, carinho e, na nossa sociedade capitalista, presentes, para alguns são só palavras que aprendemos a escrever e a ler mas cujo significado não compreendem verdadeiramente.
Esta iliteracia não é própria apenas dos tempos modernos. Penso que terá existido desde sempre e o que mais me assusta é pensar que poderá continuar a existir... para sempre.

Para tentar devolver um pouco de paz à alma, penso nas pessoas boas que existem e que, espelhadas pelos quatro cantos da Terra, procuram, através das suas vidas, contribuir para um sorriso (a mais elementar expressão do bem) e um olhar iluminado daqueles que pouco ou nada têm.
Nesta época festiva, mas em que poucos sabem porque festejam, somos bombardeados de hipocrisia natalícia. São os presentes, os manjares próprios da época, os enfeites, o pai natal, o presépio, as últimas compras e receitas para a ceia. Tudo é abordado e, de certa forma, espremido até já não sobrar mais nada. Quer dizer, mais nada que se veja, pois "o essencial é invisível aos olhos", já dizia Antoine de Saint Exupéry.
Questiono-me se as pessoas não se interrogarão... interrogo-me se as pessoas não se questionarão sobre o que está para além do que se pode ver, ouvir, cheirar, tocar ou saborear. Mas na minha cabeça apenas tenho um ponto de interrogação, a resposta essa permanece na mente de cada um...
Jesus Cristo, nesta quadra, é apenas o menino Jesus, uma peça do puzzle que é o presépio. E até o Pai Natal, cuja lenda advém do séc. IV d. C., assume um maior protagonismo.
Acredito que para alguns - poucos - o nascimento daquele que é considerado (dentro de algumas sociedades) o redentor seja celebrado com o máximo de fé. Mas também acredito que para outros - muitos - seja apenas uma desculpa "esfarrapada" (tal não é o uso!) para mais umas festinhas, umas excentricidades e, claro, como não podia deixar de ser, é igualmente o momento de relembrar os pobres, fracos e oprimidos que ficaram esquecidos desde o último Natal!
Ai Pai Natal, tira-me deste filme!!
Apesar de encarar Jesus Cristo como um filho de Deus como todos nós, sem maior ou menor privilégio, foi, sem dúvida, um grande exemplo para a humanidade, tal como o foi Gandhi, Buda, Madre Teresa de Calcutá...
Para mim, Jesus Cristo encontra-se no mesmo patamar humano e divino que todos nós, mas não se pode negar a grandiosidade das suas acções que ainda hoje são reconhecidas mundialmente.
Ainda assim, crendo em Jesus como um ser igual a muitos outros benfeitores, acredito que lhe presto uma maior homenagem e admiração do que uma grande fatia daqueles que se auto-intitulam de cristãos.

"Perdoai-lhes Senhor, eles não sabem o que dizem"
O Natal, à minha vista, é algo imposto pela sociedade. Todos os dias são importantes, não existem dias mais ou menos especiais marcados no calendário, todos são iguais: todos são unicos! Existirão, com certeza, alguns que pelas alegrias, surpresas e diálogos, momentos enfim, serão mais facilmente recordados. Mas esses não estão marcados antecipadamente...
E porque "o Natal é sempre que o homem quiser", peço ao Pai Natal que este ano traga na sua sacola muita paz e sossego para os corpos e as almas. Muita entreajuda, simpatia no trato, muito amor e, sobretudo, muita saúde. Para finalizar, peço apenas o favor de distribuir estes "presentinhos" pelos 365 dias do ano (e não apenas nesta quadra festiva).
Obrigada Senhor, bem-haja!
Ecos by Ana
2006

Cultivo alegrias num jardim




«Foram-se os amores que tive


ou me tiveram:


partiram


num cortejo silencioso e iluminado.


O tempo ensinou-me


a não acreditar de mais na morte


nem desistir da vida: cultivo


alegrias num jardim


onde estamos eu, os sonhos idos,


os velhos amores e seus segredos.


E a esperança - que rebrilha como pedrinhas de cor entre as raízes.»




Secreta Mirada, 1997


Cit. por Lya Luft, Perdas e Ganhos

Para lá d'O FIO DO HORIZONTE

Nestes últimos dias, prevendo os ventos da mudança, decidi fazer uma reorganização no meu baú de memórias. Não queria estar pesada quando o vento soprasse... só a leveza me permite voar livremente...
Assim, comecei pelo mais recente e fui andando para trás... escrevi, remoi e encontrei momentos, pessoas, alegrias, perdidas entre a memória e os registos escritos.
Voltei-me, depois, para a caixinha dos recortes. Foi com espanto que revi pequenos textos que me acompanham há uns longos anos e outros que, apesar de serem mais actuais, não me deixam de surpreender, pelo sentido que tomam quando os lemos uns meses mais tarde.
Peguei num dos recortes: era umas das crónicas d' O Fio do Horizonte que Eduardo Prado Coelho escrevia semanalmente no Público, datado de 11 de Janeiro de 2007.
Aparentemente, o texto não continha nada de especial (perguntei-me até o porquê de o ter guardado)... e não fosse o facto de ter sido escrito 7 meses antes da sua própria morte, todas aquelas palavras teriam um sentido diferente e, de certa forma, menor.
Passo a transcrever:

ZÉ LOUREIRO
«Conheci o Zé Loureiro já há muitos anos, nem eu sei quantos, mas lembro-me de que entrei um dia no gabinete da sua editora, A Regra do Jogo, ali para as bandas da Sousa Martins, perto da Fontes Pereira de Melo (aqui não sei se tudo isto é imaginação). O que me interessa dizer é que alguém que pretende publicar Llansol ou Rui Nunes (nessa altura quase desconhecidos) tem certamente um gosto de invulgar qualidade.
Depois, a vida foi-nos separando, levando a reencontros e, ás vezes, a separar-nos nos próprios reencontros.
O que aconteceu agora deixou-nos a todos em estado de choque. O Zé Loureiro (o seu nome por inteiro é José Leal Loureiro) teve a melhor das mortes: deitou-se para dormir a sesta (estava nessa altura no Porto) e não chegou a acordar.
Qualquer um de nós sonha com uma morte assim: sem violência, deslizando suavamente para o outro lado da vida, morrendo em sonhos e verdades. Só que há nisto uma estranha assimetria. O que para os outros que morrem é o melhor, para os que ficam a situação é horrível. Nada lhes faria prever o que viria a acontecer. Nada, nunca.
A verdade é que viver não é nunca fácil. Para o Zé Loureiro, houve momentos muito difíceis. Não sei as coisas em pormenor, mas lembro-me do Zé Loureiro a secretariar a UEP, sem grande convicção. A vida tinha-o tornado algo céptico e desencantado. Mas toda a sua vida ele teve a mais bela das qualidades: gostava imenso dos livros e gostava de os fazer chegar aos outros e a, assim, partilhá-los.
Que se quer mais? Adeus Zé. Boa viagem e leva livros para ela.»
A morte de Eduardo Prado Coelho não foi tão serena, foi até súbita, e a crónica aqui transcrita poderia já ser o remoer da sua dor por se saber no fim da linha da vida.
Foi com alegria que li os testemunhos que falavam tão bem da pessoa que Prado Coelho foi ao longo dos tempos.
Para o fundador do Público, Vicente Jorge Silva, Prado Coelho era «um consumidor cultural insaciável» que «tinha uma sede imensa de saber».
«Gostava de apreciar tudo o que andava no ar», considerou o professor Arnaldo Saraiva acrescentando que Prado coelho revelava «uma imagem forte da sua ambição de entender a vida e de entender os jogos de poder, mas também os mistérios da criação».
Acho que era por estas "sedes" que a minha linha da vida, curta e fraca, se cruzava com a dele, longa e forte , mesmo em meros recortes de jornais.
Foi um belo faquir nos anos que por aqui passou, e eu, que com o medo das alturas ainda mal consigo aguentar-me no arame, não deixo de sentir uma subtil admiração, mesmo já estando para lá d'O Fio do Horizonte.

14/12/2007

Ensina-me a empreender um novo início...


«Ensina-me a empreender um novo início, a destruir os esquecimentos de ontem, a deixar de dizer "não posso" quando posso, "não sou", quando sou, "estou bloqueada" quando estou totalmente livre.»

Rabbi Nachman di Braslav

10/12/2007

Vida = Viagem de Comboio

Algum tempo atrás, li um livro que comparava a vida com uma viagem de comboio. Uma leitura extremamente interessante, quando e bem interpretada...
A vida não é mais do que uma viagem de comboio: repleta de embarques e desembarques, salpicado por acidentes, surpresas agradáveis em algumas estações e profundas tristezas noutras. Ao nascer, subimos para o comboio e encontramo-nos com algumas pessoas que acreditamos que estarão sempre connosco nesta viagem: os nossos pais. Lamentalvelmente, a verdade é outra. Eles sairão nalguma estação, deixando-nos orfãos do seu carinho, amizade e da sua companhia insubstituível. Apesar disto, nada impede que entrem outras pessoas que serão muito especiais para nós. Chegam os nossos irmãos, amigos e esses maravilhosos amores. De entre as pessoas que apanham este comboio, também haverá quem o faça como um simples passeio. Outros, so encontrarão tristeza nessa viagem... E outros também que circulando pelo comboio, estarão sempre prontos para ajudar quem precisa. Muitos, quando descem do comboio, deixam uma permanente saudade... Outros passam tão despercebidos que nem reparamos que desocuparam o lugar.
Às vezes, é curioso constatar que alguns passageiros, que nos são muito queridos, se instalam noutras carruagens, diferentes da nossa. Assim, temos de fazer o trajecto separados deles. Mas, nada nos impede que, durante a viagem, percorramos a nossa carruagem com alguma dificuldade e cheguemos até eles... Mas, lamentavelmente, ja não nos podemos sentar ao seu lado, pois estará outra pessoa a ocupar o lugar. Não importa, a viagem faz-se deste modo: cheio de desafios, sonhos, fantasias, esperas e despedidas... mas nunca de retornos.
Então façamos esta viagem da melhor maneira possivel.. Tratemos de nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando em cada um, o melhor deles. Recordemos sempre que em algum ponto do trajecto, eles poderão hesitar ou vacilar e, provavelmente, vamos precisar de os entender...Como nós tambem vacilamos muitas vezes, sempre haverá alguém que nos compreenda. No fim, o grande mistério é que nunca saberemos em que estação vamos sair, nem, muito menos, onde sairão os nossos companheiros, nem sequer, aquele que está sentado ao nosso lado.
Fico a pensar se, quando sair do comboio, sentirei nostalgia... acredito que sim. Separar-me de alguns amigos com quem fiz a viagem será doloroso. Mas agarro-me à esperança de que, em algum momento, chegarei à estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram. O que me fará feliz, será pensar que colaborei para que a sua bagagem crescesse e se tornasse valiosa. Meus amigos, façamos com que a nossa estadia neste comboio seja tranquila e que tenha valido a pena. Esforcemo-nos para que, quando chegue o momento de desembarcar, o nosso lugar vazio deixe saudades e umas lindas recordações, para todos os que continuam a viagem.
Para vocês que fazem parte do meu comboio, desejo-lhes uma... VIAGEM FELIZ!
in, Alguém, Algures, Algum dia [título ficcionado, claro está! :) ]

05/12/2007

Procura = Encontro


- Mi corazón tiene miedo de sufrir - dijo el muchacho al Alquimista, una noche en que miraban al cielo sin luna.
- Explícale que el miedo a sufrir es peor que el proprio sufrimiento. Y que ningún corazón jamás sufrió cuando fue en busca de sus sueños, porque cada momento de búsqueda es un momento de búsqueda es un encuentro...








in Alquimista

02/12/2007

Se conseguir provar que estou enganada, avise sff :D

Não acredito, e acho que nunca acreditarei, que o "amor para toda a vida" possa encaixar-se na minha personalidade e na minha forma de ver o mundo... mas todos os dias peço que me mostrem o quanto posso estar enganada.

Ecos by Ana

01/12/2007

A criança que há em mim

Existem momentos na vida em que é preciso afugentar o complexo de Peter Pan e passar à fase adulta. Aprecio tanto a espontaneidade, o constante fervilhar de sonhos, a inconsciência das crianças, que a simples ideia me assusta. Às vezes, olho para as pessoas mais velhas e penso: uma criança ainda não sabe o que é ser adulto, mas um adulto já foi criança, adolescente, jovem adulto... e, no entanto, parece que o esqueceu.

Dias atrás, acompanhei uma amiga até ao seu local trabalho e no caminho ia observando que por detrás do fato e da maquilhagem estava a mesma amiga de sempre (doce, generosa, paciente, atenta ao outro), mas o escudo montado para esconder a ansiedade do primeiro dia tornava-a mais fria à vista. Quando a cumprimentei na despedida disse-lhe simplesmente: "Nunca deixes de sorrir".
A Rita sorriu e o escudo caiu.

Venha a fase adulta mas nunca morra a criança que há em mim! :o)

29/11/2007

Lenda Pessoal

in Alquimista

"Há pessoas que fazendo parte da nossa vida passam também a querer modificá-la. E se não somos como elas esperam que sejamos, começam a irritar-se. Porque todas as pessoas sabem exactamente como devemos viver a nossa vida. Mas nunca têm ideia de como devem viver as suas próprias vidas."

"Todas as pessoas, no início da sua juventude, sabem qual é a sua lenda pessoal (isto é, aquilo que sempre desejaram fazer). Nessa altura da vida, tudo parece claro, tudo é possível, e elas não têm medo de sonhar e desejar tudo o que gostariam de fazer nas suas vidas. No entanto, à medida que o tempo vai passando, uma misteriosa força trata de convencê-los de que é impossível realizar a lenda pessoal."

... nesse momento só nos restam 2 saídas: ou aceitamos essa incapacidade ou não aceitamos... e nenhuma delas se avizinha fácil... na primeira, vamos contra nós mesmos, na segunda, vamos contra os outros...

Qual será a melhor saída?
E a mais fácil de seguir?

09/11/2007

Leben ist Lebensgefährlich

Quando me cruzei contigo as frases chocantes que ouvi no noticiário das 20h, dias atrás, emergiram imediatamente à memória. Mas não vieram sós. Atrás, traziam também o meu mal-estar e a recordação de duas noites mal dormidas. Perguntei-te precipitadamente (mas a rezar para que respondesses “não”) se eras sensível às notícias más que ouvias. Mal te dei tempo para abanar a cabeça e contei-te tudo. O tudo resumia-se a meia dúzia de palavras que receio que transcritas nem chegassem a uma linha.

Senti alívio no desabafo. Era a primeira vez, desde que os meus ouvidos captaram aquelas revelações de um profissional do zoo de Lisboa, que demonstrava a minha indignação. Afinal de contas, és formada em Antropologia. Quem melhor do que tu para compreender a minha revolta? Mas não… não digo que foste incapaz de compreender, mas sim que viste o problema numa outra perspectiva. Tu focaste-te na perversão do homem. Eu foquei-me no sofrimento animal.

Raras vezes ouso dizer tal coisa: receio ter a visão mais correcta. Não me leves a mal quando digo que sei o que o homem sente; também sou humana. Mas não sei o que sente um animal quando é vítima de maus tratos e abusos... e isso angustia-me muito mais.

"Tenho saudades do tempo em que os animais não falavam"
[Autores não publicados]

Leben ist Lebensgefährlich -> "A vida é perigosa para a vida"

Vem-me à memória a célebre frase de que “o homem é o principal inimigo do animal”… ainda que haja quem pense o contrário!

Ecos by Ana

18/10/2007

O porquê de Peças Soltas


Por João Nuno Batista, o autor de Peças Soltas


Há sonhos que se tornam realidade e, felizmente, há verdades que são reais.
“Peças Soltas” é o reflexo de vivências, partilhas, desafios, conquistas, emoções e imaginação. Com uma grande vertente crítica e uma diversidade de lições de vida, a ora faz-nos entrar num mundo actual, fazendo com que, assim, os leitores se possam identificar com os mais ínfimos pormenores descritos.

Nada é concreto, nada é eterno e, por isso, o título em causa também não poderia ser mais indicado. Como um puzzle acabado de construir, a nossa vida é também um conjunto de peças que vamos ligando, pouco a pouco, juntando-as num encadeamento lógico e sucessivo, de modo a que haja a possibilidade de se desfrutar dos paladares e aromas inerentes às experiências de vida.

Todos os escritos de obra - quer os que se encontram em prosa, que os que estão em poesia - apresentam-se soltos, livres e indiferentes a um sentido organizacional coerente. Assim, o leitor tem a possibilidade de desfruir de cada linha escrita e de retirar dela o ensinamento que, a seu ver, pode contribuir para a sua acção, enquanto cidadão inserido numa sociedade em constante mutabilidade.

Acredito que todos aqueles que tiverem a possibilidade de ler este livro se vão deixar levar pela doçura dos sentimentos, pela angústia das sensações, pela aventura dos pensamentos e, mais do que tudo, pela beleza do simples acto de viver.
Se analisarmos a nossa vida deparamo-nos com um conjunto de peças solas e dispersas, cada uma dizendo respeito a diferentes momentos e estados de espírito.

Com uma boa dose de audácia e atrevimento, juntei todas as minhas peças, encaixei-as na memória e cristalizei-as no papel. Mesmo assim, continuam soltas e livres. A explicação, essa é simples: tudo o que se constrói, se vive, se imagina ou se sonha deixa marcas na nossa vida e, no fundo, cada uma dessas marcas é o caminho para podermos trilhar e lutar por novas peças… ainda que eternamente soltas.

17/10/2007

Índia: Civilização Perdida?

Ontem, a propósito de uma mensagem que enviei a uma amiga de origem indiana sobre a minha vontade de ir à Índia (alimentada pelos relatos, livros e imagens, sobretudo agora com O Faquir), recebi em resposta um email que me deixou atordoada. Como diria ela Choque. Revolta. Dor.

Por AMITA MEGGI

«Há dias ando a consumir-me por causa de um documentário que vi na Sic Notícias: Toda a verdade sobre os Intocáveis na Índia.

A minha revolta é tanta, que não páro de me questionar porque é que ninguém faz nada para acabar com o MALDITO sistema de castas na prática, já que é um verdadeiro ninho de injustiças, onde a tirania das elites tece a miséria da Nação com a dignidade humana...

Passo a explicar:

Como sabes, o sistema de castas foi legalmente abolido no sec. XX.
Gandhi teve um papel muito importante nesta matéria. Ele, ciente dos problemas das castas mais desfavorecidas, lutou pelos seus direitos, tendo pela 1a vez chamado atenção para a discriminação racial injusta entre as castas.

Mas lá está: não se mudam mentalidades de milhões de pessoas com heranças culturais de centenas de gerações, com uma simples legislação, que não passa de uma mancha negra sobre o papel.

Este sistema, mantém a sociedade indiana aprisionada, baseada na desigualdade entre as gentes, limitada por fronteiras que ela própria estabeleceu. É simplesmente ridículo!
E aqueles políticos da treta simplesmente não conseguem ver isso! ou entao não querem ver!

Não só é um entrave ao desenvolvimento, como um traço da primitividade. No sentido literal da palavra: pura ignorância.

A ironia é que o objectivo do sistema de castas nunca foi criar desiguldade, pelo contrario! Era tornar a sociedade indiana mais próspera, através da divisão de tarefas por cada uma das castas, no que diz respeitos aos deveres religiosos e sociais.
Parece que alguém se enganou. Não funcionou de todo. E, até hoje, alguém a está a pagar por isso...

Agora as novidades aterradoras:

Eu sabia que as castas mais baixas, e nomeadamente os intocáveis, eram os mais "pobres" mas não tinha ideia que eram tratados como ESCRAVOS!!! Vítimas de violação, prostituição, maus tratos, raptos... as maiores atrocidades que podes imaginar...

Eu vi o dia-a-dia dos colectores de dejectos/excrementos (normalmente mulheres intocáveis), que fazem aquele trabalho em troca de uns quantos centimos!!!

Ana, o que me revolta não é a miséria delas (pois pra isso tinha mais pena das crianças moçambicanas que batem o recorde de pobreza!)
São as condições em que essa miséria nasce e perpetua durante séculos.

Quando tu olhas para uma criança extremamente pobre, sentes pena dela, compaixão, tristeza. tens a consciência de que está errado e é altamente injusto. podes mesmo questionar Deus. Ma, também sabes k não podes fazer muito para os ajudar, porque há milhoes de pobres em todo o mundo. No fim, ficas com um sentimento de incapacidade, e passados uns dias, talvez de aceitação, porque afinal, a vida é injusta passo sim passo não. Quer queiramos quer não, temos de viver com isso se quisermos sobreviver neste mundo. Ninguém olha para uma criança destas e diz que ela merece esse sofrimento!

O que se passa com os intocáveis, é uma situação completamente diferente: trata-se de considerá-los parasitas da sociedade, em que os de casta alta abusam e maltratam esta gente, considerando-se a si mesmos superiores a estas pessoas e, achando que estes são apenas aquilo que merecem ser! é isto que me revolta, é isto que precisamos de mudar: consciencializar que somos iguais nos direitos humanos, diferentes nos pormenores.

Para além de ser um trabalho extremente sujo, no sentido literal da palavra, pois provoca doenças (tuberculose, etc), vitimando dezenas de intocaveis por inalação de gases toxicos e doenças contagiosas, é um trabalho nada gratificante, já que são considerados "os intocáveis, os imundos" da sociedade! a sua profissão é essencial para o funcionamento "normal" da sociedade (ja k não há canalização em maior parte das aldeias), mas o seu trabalho tira-lhes literalmente a DIGNIDADE HUMANA, pois segundo o documentario, O mesmo prato com restos de comida é dado a um intocável, como a um cão vadio. Mas o cão tem a hipotese de escolher o k come. Os intocaveis não. Ou fazem o seu trabalho e recebm as esmolas k lhes dão... ou entao morrem à fome.

É engraçado como Gandhi chamava a estas mulheres intocáveis: "as mães da comunidade", pois eram elas k mantinham a "sociedade limpa, livre de doenças". Diz-me tu, como é k um filho pode renegar e mais, repudiar a sua própria mãe? É indigente. E o pior é a falta de consciência dessa gente, que pensa que tratar os intocáveis como indigentes é... normal. (só porque supostamente os miseráveis não tiveram origem do corpo de Brahma).
Os Brâmanes ficaram com a boca desta divindade Hindu, os Kshatrias com os braços, os Vayshias com as coxas e os Sudras com as pernas. Mas eu digo-te Aninhas, há um alugar que não foi reivindicado: o CORAÇÃO. Os Intocaveis vieram do coração de Brahma! Atribuo-lhes eu esse lugar! Ocupam esse lugar por direito. só as pessoas que foram concebidos em tal sítio, conseguem sorrir quando até a sua condição humana foi estropiada...

Criou-se, de tal forma um ciclo vicioso em torno da sua condição humilhante, que eles não têm escapatória.
São intocaveis porque nasceram intocáveis. Para sobreviver têm de fazer o trabalho de intocaveis, o que "legitima" a sua intocabilidade no seio da sociedade. Não lhes é dada a oportunidade de escolher sair daquela vida, pois ninguém lhes dará trabalho devido às suas origens. E olha que isto é mesmo verdade. Não me perguntes como, mas os intocaveis sao identificados à distância.

O absurdo: os intocáveis são, literalmente, intocaveis. Não se misturam com as outras castas nos templos, refeições, etc. Ninguém toca neles, porque se o fizerem têm de se purificar! E quando alguém de uma casta superior tocar um deles sem querer, o pobre do intocavel é apedrejado... Já viste tamanha injustiça? Ser punido por causa da própria existência?

Metaforicamente, os intocáveis estão num caldeirão cheio de uma mistura de Racismo, Discriminação, Desiguldade, Escravidão, Violência, Miséria, Fome, Desumanidade, Doença. A Feiticeira é a Ignorância. A Bruxa é a Incompreensão.

Pela primeira vez em 23 anos de existência, eu senti que não havia esperança.... E isso feriu-me o coração com tal intensidade, que eu desejei não ter sentimentos...
Uma dor que até a mente consegue sentir.

Esta gente humilde tem de aprender a considerar-se 1) gente 2) digna de 3) direitos, para puderem LUTAR.
É preciso que eles tenham esperança, para incentivar outros de fora a lutar pela sua causa!

Esta luta tem de começar agora, para daki a uns séculos, consigam alcançarem alguma dignidade...

Estou triste. Profundamente triste.

Partilho contigo esta "experiência interior", não para te pintar um quadro negro desta terra que tanto admiro e respeito, mas para alertar-te sobre uma realidade que está vincada nesta nação, que parece ter estagnado no tempo...

Índia, a "cvilização perdida"?...

P.S.: Esta situação foi denunciada às Nações Unidas que, levou a pedir satisfações ao Governo indiano.
A resposta, tão arrogante como ignorante: "Não se metam nos assuntos internos"...»

--
Amita Meggi

11/10/2007

Perdoa-me, Deus, quando eu me queixo!





De autor desconhecido



Hoje, num autocarro, vi uma linda jovem de cabelo dourado e invejei-a… Parecia tão feliz… E desejei ser assim tão louro.
Quando por fim se erguei para sair, vi que ela coxeava pelo corredor. Só tinha um perna e usava muletas. Porém, quando passou… esboçou um sorriso! Perdoa-me, Deus, quando eu me queixo, pois tenho duas pernas. O mundo pertence-me!
Parei para comprar doces. O rapaz que mos vendeu era encantador. Falei com ele e pareceu-me muito feliz. Se eu me atrasasse não fazia mal. E, quando eu ia a sair, ele disse-me:
- Obrigado por ser tão amável. É bom falar com pessoas como o senhor. É que eu sou cego, sabe. – Perdoa-me, meu Deus, quando eu me queixo, pois tenho dois olhos. O mundo pertence-me!
Mais tarde, enquanto caminhava pela rua, vi uma criança de olhos azuis. Estava parada a ver os outros brincar, sem saber o que fazer. Parei um instante e perguntei-lhe:
- Porque razão não te juntas aos outros, meu querido?
O menino olhou em frente sem proferir uma palavra e então percebi que ele não ouvia. Perdoa-me, meu Deus, quando eu me queixo, pois tenho dois ouvidos. O mundo pertence-me!

Com pés que me permite ir onde desejo, olhos para ver o brilho do pôr-do-sol, ouvidos para ouvir o que quero saber… Perdoa-me, Deus, quando eu me queixo, pois fui abençoado. O mundo pertence-me!



Retirado de A Melhor Maneira de Viver, Og Mandino

05/10/2007

A luz no olhar



«Os guerreiros da luz reconhecem-se pelo olhar.


Estão no mundo, fazem parte do mundo, e ao mundo foram enviados sem alforje e sem sandálias. Muitas vezes são covardes.

Nem sempre agem correctamente.
Os guerreiros da luz sofrem por tolices, preocupam-se com coisas mesquinhas, julgam-se incapazes de crescer.


Os guerreiros da luz, de vez em quando, crêem-se indignos de qualquer bênção ou milagre.
Os guerreiros da luz, com frequência, interrogam-se sobre o que fazem aqui.

Muitas vezes acham que as suas vidas não têm sentido.

Por isso são guerreiros da luz.

Porque erram.

Porque interrogam.

Porque continuam a procurar 1 sentido.
E acabarão por encontra-lo.»


in O Guerreiro da Luz, Paulo Coelho

08/09/2007

Uma viagem ao teu encontro

Esta semana aproveitei a possibilidade de fazer as viagens turísticas da Carristur à borlix e fui arejar corpo e mente!
Adorei passear naquele eléctrico vermelho de nome "Colinas". Maravilhei-me com aquelas 2horas pelas zonas mais históricas e mais pobres da cidade de Lisboa: Alfama, Mouraria, Bairro Alto, Chiado, e Estrela. Deliciei-me com a vista nas Portas do Sol e com as passagens por ruelas tão magrinhas que quase batia nos prédios (algumas tão estreitas que até podia tocar nas campainhas!); descobri até um prédio na zona da Estrela que tem apenas 1,5m de largura... segundo o guarda-freios (maquinista do eléctrico) é mesmo a casinha mais estreita aqui dos arredores! Pudera... :D

O curioso? Existiam muitos cantinhos aqui mesmo ao meu lado que eu desconhecia. É estranho quando estamos numa cidade há 5 anos e pensamos que conhecemos tudo mas na verdade conhecemos muito pouco.
Acho que o mesmo acontece com as relações humanas. Nós vemos e fazemos sempre o mesmo, o comodismo surge e deixamos de conseguir ver mais além. Pensei um bocado nisso.
Mas sobretudo ri, ri imenso, como eu tanto aprecio. É uma lavagem automática à alma! Principalmente, porque tive um "guia" de All Stars amarelos, bonito, simpático e sempre muito atencioso. Quem não gosta disso? lol :p

Domingo o destino será Sintra... as expectativas são elevadas, como sempre acontece quando desejamos muito uma coisa que conhecemos pouco e exerce sobre nós um certo fascínio... eis mais uma analogia entre uma viagem pela cidade e uma viagem pelo mundo de outra pessoa. Ou não fosse eu uma pensadora nata e maluca! hehehehe :p

04/09/2007

Pertences

O que somos só a nós pertence... melhor, são os nossos únicos pertences!

Ecos by Ana

01/09/2007

Mensagem da semana



Nada é definitivo: tudo vai e tudo volta... nem tudo é bom, mas pelo menos temos a garantia de que também nem tudo é mau... equilíbrio, acima de tudo!
Esta teoria permite-nos dar valor aos bons momentos, ao mesmo tempo que nos traz a esperança de ver um raio de sol num dia chuvoso... :D

"É uma tristeza ver-te partir mas é uma alegria saber que vais estar sempre a chegar..."

By Marta Lopina

Obrigada eu, mana, por teres acordado tão cedo só para me ver.
Fico sempre encantada com o teu riso... o dia de trabalho tornou-se ainda mais alegre.

31/08/2007

Não há soluções, há caminhos


«- Ó mãe, porque é que nós não temos férias?
- Temos, sim. Vais ver.
- Mãe, toda a gente vai para a praia ou para a montanha!
- Toda a gente? E sabes se têm o coração descansado?
-Ó mãe, toda a gente se diverte e come gelados.
- Ah! Isso é bom. Mas achas que são amigos uns dos outros?
-Ó mãe... porque é que nós não somos ricos?
- Somos sim. Temos um coração descansado, temos amigos e temos... vou-te dizer um segredo, temos um tesouro: a certeza do descanso eterno.»


(Padre) Vasco Pinto de Magalhães
In, 365 dias, Não há soluções, há caminhos
Mensagem de 31 de Agosto

24/08/2007

Purtoguez

Orabem, vamus lá ber o que sabe o sábiu do nassional:
muita poko, poix concertesa... sabe navigar no msn, trokar umas mesagens no telélé e k máis?
Sabe uns bués (da fixe), dezer umas asneiradas, uns vai cossar aqui e acolái e o resto é comversa pa enxer o sako... do licho. :D

E isto não é conversa de miúdos; os graúdos já não ficam atrás... ou não tivesse eu encontrado uma crónica do escritor João Aguiar a comentar (criticar, mais precisamente!) uma carta impestada de erros de um funcionário da Câmara de Lisboa! :p
Pior, mesmo, é aquele que troca a certeza pela dúvida perante tais gralhas (deliberadas ou não).

Há dias atrás, lendo a mensagem "TABEM", confesso que não sabia se haveria de ler "Está bem" ou "Também". Valeu-me a capacidade de compreender o imconprencivel!! hehehe
Joao, meu amigo, conto contigo para ensinar o bom português à criançada :o)

p.s. - Qualquer erro detectado será da exclusiva responsabilidade do Ministério da Educação e do Ministério do Ensino Superior... pelo que queixumes só ao Mariano Gago! :p
p.s. - Pede-se encarecidamente que todos os erros, visíveis ou não, sejam reportados :)

23/08/2007

Simplesmente valorizar


Nem desvalorizar nem sobrevalorizar

Simplesmente valorizar


"Quando discriminamos alguém, diminuímo-lo;

quando sobrevalorizamos alguém, diminuímo-nos."

22/08/2007

Ser vs Ter II

Há uns meses atrás escrevi: quando as pessoas não valem pelo que são, fazem-se valer pelo que têm.

Alguns concordaram, outros discordaram. Uma destas pessoas foi a pseudo-anjinho (Amita), que logo me fez ver que as pessoas têm sempre valor... mesmo quando os seus valores não são compatíveis com os nossos...

Ainda assim, esta semana, depois de algumas conversas que me deixaram na boca o sabor da desilusão, não pude deixar de voltar a pensar na frase.


Desta vez escrevi:
Não te faças valer pelo que tens mas pelo que és;

O que tens todos podem ver, o que és poucos podem conhecer;

É que nunca sabes porque razão as pessoas se aproximam de ti...

Aos 20 isto pode parecer insignificante;

Aos 40 será importante;

Aos 60 determinante...



[uma reflexão que serve para todos nós; é que o ego é traiçoeiro e muitas vezes caímos nesta esparrela mesmo que inconscientemente]

Agosto: gostos e desgostos


Praia, rio e mar;
Diversão entre conhecidos e desconhecidos;
Uma noite no bangalow aqui, três noite numa tenda ali, com estes e aquelas;
Conhecer novas e velhas pessoas;
Apreender diferentes formas de viver, aceitá-las na minha vida para, logo de seguida, mandá-las embora; Tornar-me discípula de Sri Chinmoy, para logo expulsar todas as doutrinas da minha vida;
Apaixonar-me e desapaixonar-me;
Trabalhar...
Tudo isto fez parte do último mês.

O que fica é apenas a contemplação de quem o vislumbra... uma história perdida algures num tempo e num espaço da minha vida. Diante dele vemos o passado e o futuro a sorrir para o presente!

Um obrigada especial a todos aqueles que fizeram parte desta narrativa num mês da minha vida... :D




[as frases em itálico são uma adaptação das palavras da minha querida Amita relativamente à sua visita ao Big Ben]



23/07/2007

Férias

Férias: Doce repouso da alma; contentamento descansado do corpo.
Finalmente, o fim!
Enquanto uns foram mais além, outros ficaram aquém.
E desta vez, nem posso dizer para o ano há mais.
Ainda me lembro quando em criança pedia para passar toda a minha vida na escola. Queria ser professora... mas o tempo encarregou-se de mudar os meus desejos.



Adoro esta sensação de colocar a mala às costas (mesmo quando fico a pesar o dobro!) como se partisse à descoberta do mundo... Desta vez, rumo até Porto Côvo.

E num dia em que o sol está longe de brilhar apenas anseio por ver o rosto das minhas companheiras de aventura...

Voltarei muito em breve para contar o que por lá aprendi... Boas férias/trabalho/estudo!

16/07/2007

Todos Diferentes, Todos Iguais





Na festa da diversidade e da igualdade de oportunidades, realizada este fim-de-semana no Terreiro do Paço, entregaram-me uns panfletos com umas palavrinhas que já todos ouvimos mas que nunca são demais...




Quando vês nacionalidade, raça ou credo não vês a pessoa!



Vê as pessoas pelos teus olhos, não pelos olhos do preconceito.




A discriminação ataca por diversas frentes: ela multiplica-se
Sexo
Etnia
Condição Económica
Orientação Sexual
Origem
Língua
Profissão


Vê o que os outros têm para te mostrar, ouve o que têm para te dizer. Informa-te sobre as diferenças, participa nas discussões, forma a tua opinião e partilha os teus pontos de vista.

Porque este mundo também é feito por ti, não deixes que se discuta e que sejam outros a decidir.

O Fim da Picada

in Penitude, nº48 *

A cena é conhecida.
O escorpião contorcia-se na água tentado escapar do inevitável afogamento.
O homem sábio observa-o, aproxima-se, e com a mão tenta ajudá-lo. Mas logo leva uma valente ferroada. Nova tentativa, nova picada e o fim certo para o bicho: o inevitável afogamento. Contudo, não obstante a reacção hostil, o homem sábio não desiste.
Cauteloso, utiliza então um pequeno galho e arrasta o escorpião para fora do charco, salvando a criatura.
___________________________________
Quando as impiedosas picadas da vida
intentam em afrontar o que és, ainda assim
não deixes de ser o que és.
Continua a oferecer o teu melhor.
Não contraries a tua natureza benigna
ainda que sejas violentamente ferido
dentro de ti mesmo, porque na tua simplicidade apenas tentavas audar.
Continua a oferecer o teu melhor.
Não te curves perante as circunstâncias.
Sê apenas mais cuidadoso.
Aprende a ser mais prudente como a serpente,
mas mantêm a simplicidade das pombas,
pois os tesouros que tens guardados dentro de ti
são a tua essência,
e essa jamais alguém a poderá roubar.
Sara as feridas e não mudes
o que de melhor há em ti, porque é isso
que te faz diferente e único neste mundo
e tu és precioso demais.
Continua a oferecer o teu melhor
porque não basta acreditar.
É preciso agir!
E a raíz do futuro
está dentro de ti;
todas as escolhas
estão, sempre, nas tuas mãos!

* Embora esta revista esteja associada a uma corrente religiosa (que não apoio mas aceito), essa ligação não condicioana os artigos interessantes, diversificados, e sempre pautados por uma elevada qualidade.

14/07/2007

Licença para aprender

Ainda não assimilei perfeitamente o fim iminente da faculdade... talvez seja o medo do Peter Pan a entrar em mim... :)
E pensar que passei toda a adolescência a sonhar com esse momento!! Agora que estou à beira de o concretizar dou por mim a dizer: "Não, afinal não quero; tempo volta para trás!"
A dúvida e a incerteza características da novidade já me deixam de olhos em bico... afinal de contas, é sempre mais fácil permanecer numa situação cómoda do que alterar toda uma rotina estabelecida durante anos a fio. O medo da responsabilidade... uuuuu spooky!
Para mim é como deixar uma segunda casa, literalmente! Ou não passasse mais tempo na faculdade do que em qualquer outro sítio: 12horas diárias, 5 dias por semana, 4 semanas por mês, 10 meses por ano...


Mas mais do que qualquer outra coisa, sinto um aperto no coração só de pensar em afastar-me das minhas 6 companheiras mais maravilhosas (deviam ser 7 né?) que tanto me aturaram ao longo destes anos... nos choros e nos risos, nas boas e menos boas notas, nas conferências, nos almoços no refeitório... agora até já na macrobiótica! (dia após dia, algumas queixam-se que a comida é "isto e aquilo", mas sempre voltam a comer! hehehe); nos jantares, na praia... e brevemente na tenda!

Estas rotinas serão alteradas por outras novinhas, fresquinhas e, quiça, bem melhores... mas só de pensar... :S
Fazendo uso "não autorizado" das palavras da minha 7ª maravilha, a Joana Castro:
«É como se estivesses no cimo de um rochedo e viesse um enorme vendaval. Quando estás prestes a cair sobre a onda que te levará a novo rumo, tentas equilibrar-te de novo no rochedo.
O rochedo é estabilidade, segurança e certeza.
A onda simboliza a mudança, a responsabilidade absoluta e acima de tudo, simboliza o momento em que terás de provar o teu valor.»

24h de ouro

Em cada manhã te são entregues vinte e quatro horas de ouro. São uma das poucas coisas neste mundo que estão livres de impostos. Se tivesses todo o dinheiro do mundo, não poderias comprar nem mais uma hora. Que farás com tão valioso tesouro? Lembra-te, tens de o usar, pois só te é oferecido uma vez. Se o desperdiçares, não o poderás recuperar.

in Uma Viagem Espiritual

Um olhar sem visão

Ainda estou a tremer. Nem sei se foi de correr ou da insegurança que senti.
Hoje decidi sair na estação de Campolide... pensei que o autocarro já estaria mais vazio por causa das férias ecolares e não me enganei.
Mal saí da estação encontrei uma senhora cega, completamente perdida entre a paragem dos autocarros e a estação de comboios. Perguntei-lhe se queria ajuda, ao que ela me respondeu: "vou para a estação"; perguntei-lhe qual a direcção. "Setúbal" foi a resposta.
Vi o comboio a chegar naquele instante. "Já está perdido", pensei, enquanto exteriormente continuei a tentar fazer alguma coisa de útil. Enquanto a guiava, fazia sinais ao maquinista e ao segurança para aguardarem.
Sempre alertando-a dos degraus e espaços vazios onde poderia facilmente cair, a senhora conseguiu, finalmente, embarcar rumo a Setúbal. Ufa!
Agradeceu-me e eu redistribui o agradecimento por aqueles que esperaram por ela. Só tive tempo de dizer "bom dia" antes de as portas se chegarem.
Volto a correr para o autocarro. E agora que me aconcheguei no banco, não posso deixar de pensar na vida desta senhora que é cega... uma vida que não conheço mas tento imaginar...


Sentirá medo e insegurança como eu penso que sentiria se estivesse na pele dela?
O que é para ela a beleza? E a fealdade?
E a cor azul, do mar e do céu?

10/07/2007

Ágape

do Lat. agape < Gr. agápe, amor, afeição


-» Amar a Deus, o próximo e até o inimigo.


Conseguirei um dia?
Todos os dias tenho de reaprender a acreditar em Deus...

02/07/2007

Jacarandás



7h30. Passo no Marquês de Pombal a correr. Avisto os jacarandás que enfeitam o local.


Hoje não sinto a alegria de outros dias. Hoje não sinto a doçura daquelas árvores.


A tristeza, que ameaçou entrar sem bater à porta, já se instalou na minha mente.


Olho para aquelas árvores robustas e, ao contrário do que havia acontecido durante os dois meses anteriores, vejo que as flores lilases que as cobriam estão agora caídas, espalhadas pela calçada...


"Desnudaram-se", penso eu. Despojaram-se do mais precioso que tinham: a cor e o cheiro. Voltaram a ser aquilo que foram durante o resto do ano: árvores. As flores foram a excepção, o bónus concedido pela Primavera.


Não consigo deixar de me sentir como se me tivessem roubado a jóia mais valiosa...


Recordo as palavras do Daniel Sampaio (aquando do fim da revista Xis): o que é bom não dura eternamente.


Bem sei que se assim fosse talvez deixasse de o valorizar... e, portanto, é melhor prevenir!


Resta-me a esperança de que para o ano cá estarei para apreciar estas belas ávores robustas carregadas de lilás... nessa altura voltarei a sorrir e a contemplar a sua perfeição.

26/06/2007

Meditation on silence



Eis-lo! Sri Chinmoy. Que imagem linda... e inspiradora...



22/06/2007

A união dos pés


Acabo de ler um e-mail com a seguinte mensagem:

"Numa época em que dar as mãos já não é suficiente... Unamos os pés: pode ser que resulte! ! "

Muuuuuito bonito!
Não consegui resistir a partilhá-la. Dá vontade de rir ao ver esta foto e este texto que primam pela originalidade. :D

21/06/2007

Loucura v. Normalidade

Enquanto me achar louca serei normal,
No dia em que me achar normal estarei louca!
Ecos by ANA

Memória



A memória é a linha que cose a manta de retalhos de que é feita a vida do Homem. E sem sabermos porquê, escolhemos guardar uns pedaços e desperdiçar outros... a memória é importante mas também o é a capacidade de esquecer... e transformar as experiências em aprendizagem.

Ecos by ANA

20/06/2007

Light


There are two kinds of Light: the outer light and the inner light. The outer light exposes us, examines us and judges us. The inner light awakens us, illumines us and fulfils us.

http://www.srichinmoy.org/resources/library/talks/philosophy/freedom

Meditação no sorriso

Estas últimas 3 semanas têm sido intensas em matéria de meditação. :D


Assisti a vários workshops, e posteriores aulas, com um discípulo de Sri Chinmoy, um mestre espiritual indiano (um verdadeiro avatar, e ainda por cima, vivo!).


Em seis meses este é o segundo discípulo que ouço. A vida está cheia de sinais (coincidências?)... mas nem sempre os consigo descodificar correctamente...


A mensagem que Kritharta (o discípulo) nos trouxe era diferente (de Aditya, o outro discípulo) mas brotava da mesma fonte... Sri Chinmoy é realmente um ser pleno de consciência, de conhecimento, de capacidade. Em suma, de iluminação.


Fiquei maravilhada com o brilho que lhe iluminava os olhos, o sorriso... na verdade, o corpo inteiro! E mais ainda ao ver esse brilho reflectido nos olhos dos que o escutavam...

Aquelas pessoas fazem-me sentir realmente em casa... é como se já as conhecesse há anos, quando apenas estive com elas 14 horas... Chamar-se-á sintonia, afinidade?...

Gosto imenso dos ensinamentos transmitidos. Alguns ainda estou a "processar".

Aqui fica o que é possível registar em palavras:


  • Três atitudes a ter durante a meditação, e que se devem extrapolar para a vida quotidiana:

- Entusiasmo

- Determinação

- Paciência


  • Diferença na utilização da palavra DEUS (God) e SUPREMO (Supreme)

- Deus: designação mais usada no ocidente; está associado ao Pai; Deus é encarado como o castigador.


- Supremo: designação mais usada no oriente; está associado à Mãe; Deus é encarado como amor, aconchego.

  • Nunca se conseguirá escrever uma real biografia de um mestre, simplesmente porque o seu crescimento é intrapessoal.

  • O sorriso é uma poderosa arma que aniquila as más energias e dá força as boas. Faça-se uso dele! :D

Quando o poder do amor substituir o amor pelo poder o homem terá um novo nome: Deus.

http://www.srichinmoy.org/

11/06/2007

Pensamentos Psicologizantes

Apesar de ter desistido de fazer o exame nacional de psicologia, aqui ficam algumas ideias encontradas ao longo destes últimos meses de estudo. Se não consegui levar adiante a vontade de enveredar por um novo curso, pelo menos, aprendi a conhecer-me melhor.


"O mundo da psicologia contém olhares, tons e sentidos; é o mundo do escuro e do claro, do barulho e do silêncio, do áspero e do liso; o seu espaço às vezes é grande, às vezes é pequeno, sabem-no todos aqueles que voltaram à casa da sua infância; o seu tempo é às vezes curto, às vezes longo."

"As palavras pronunciadas tornam-se diferentes e mudam de sentido quando entram no ouvido do outro. De resto, só uma ilusão materialista nos poderá levar a dizer que são 'as mesmas palavras', pois têm uma significação para aquele que as diz e outra para quem as ouve."
MUCCHIELLI, R., Introdução à Psicologia Estrutural I, Presença, 1974, p.21
"Um visitante que chegasse do espaço e que descesse em qualquer lugar descobriria seres humanos que praticam desportos, que intervêm em jogos, danças e festas, e que cantam e professam cultos, que vivem em famílias e formam grupos.
Ser humano significa ser mais parecido do que diferente. É o conjunto destas tendências de conduta universal que define a natureza humana.
Entre as nossas semelhanças, a mais importante - o traço distintivo da conduta da nossa espécie - é a nossa enorme capacidade para aprender e nos adaptarmos. Por irónico que pareça, esta semelhança fundamental possibilita a diversidade humana."
MYERS, D.G., Psicologia, Médica Pan Amercican, 1994, p.523

"Então, o que caracteriza as interacções entre uma pessoa e outra? Em primeiro lugar, as pessoas, e não os objectos, podem responder-nos. Os objectos não nos saúdam, não nos culpam ou elogiam, não nos amam ou odeiam. Reagem às nossas razões, não a nós; não estão conscientes da nossa presença. O espelho reflecte, mas não nos vê; só outra pessoa pode ser um verdadeiro espelho para um ser humano; somente as pessoas nos podem responder com sentimentos e compreensão, com irritação ou admiração, com ajuda ou competição."
ASCH, S., Psicologia Social, Nacional, 1977, p.123

05/06/2007

Dia Mundial do Ambiente


imagem:www.emarp.pt



Um gesto teu no presente pode fazer a diferença no futuro.

25/05/2007

U-Marketing

Ontem tive o prazer de assistir a uma apresentação sobre U(you)-Marketing. O título até poderia ser outro: Valoriza o teu potencial
Todos nós somos um Marketing Mix, composto por produto (!), comunicação, oferta/procura e distribuição. Como tal, temos de ter a habilidade de nos tornar melhores a cada momento. Este foi o mote da apresentação.
Segue-se o rol de dicas deixado pelos orador sobre como traçar o nosso próprio plano de marketing:
  • Tu és o teu produto:
- cuida da tua imagem
- posiciona-te
- networking (conhecer as redes de empresas à nossa volta)
  • Faz acontecer: é preciso persistência; as oportunidades não se encontram. Procuram-se.
  • CV = Curriculum Vitae
Criar Valor vs Criar Volume
Queremos mostrar o nosso valor, aquilo em que somos bons, as actividades em que participámos e em que temos interesse ou simplesmente apostar nas médias mais elevadas e em resmas de folhas com informações básicas do tipo BI, Contribuinte... mas que nada dizem sobre nós?
A escolha é tua.
  • Inova e Partilha

É essencial não ter medo de partilhar as nossas aprendizagens com os outros. Mas aceita que os outros não queiram partilhar as suas descobertas contigo. (A vida não é perfeita. Somos nós que criamos essa perfeição)

  • FyF - Follow your ideas

Foi demonstrado que 80% das decisões são tomadas com base na emoção e apenas 20% na racionalidade. Portanto, pensar para quê?? Sê criativo, deixa-te levar pelas tuas ideias (e reza para que elas te conduzam por um bom caminho!)

  • Recicla-te:

Não permaneças sempre igual. Aprende, inova, muda constantemente mas sem deixar fugir a coerência interna. Estás a ver um anti-vírus em que temos de fazer actualizações permanentes?!? Acho que é essa a ideia... :D

Muitas frases ficaram a bailar na cabeça:
Life is too short for the wrong job.
Be a life long learner.
Sê um especialista em várias coisas. Não te concentres numa coisa só. Diversifica os teus conhecimentos.
Sê bom naquilo que fazes: há centenas de pessoas a fazer o mesmo que nós. É fundamental sabermos distinguir-nos.
Atreve-te a ver mais em www.ruiventura.multiply.com
[as imagens são fantásticas e os vídeos não se ficam atrás]

22/05/2007

Longe da vista, perto do coração (II)

À Rita D., pela força e coragem tremendas que me transmitiu. Por querer sempre chegar mais longe. Por me ter feito concluir que não é preciso passar por cima de ninguém para o conseguir.
À Ana Luísa, 'a amiga da China', que é como uma mãe, sem deixar de ser amiga. É realista, sem deixar de ser sonhadora. E, por já ter passado a barreira dos 30, aprendi a escutar com atenção os seus conselhos. Foi a primeira a quem falei das minhas dúvidas existenciais, da imortalidade, do pavor que era sentir-me 'viva'. Não sei se alguma vez me compreendeu realmente. Nunca precisei de saber. Sempre me apoiou, me chamou à terra, sem nunca me cortar as asas. Quando defini bem o meu sonho profissional e pessoal foi a primeira pessoa a quem contei. Respondeu-me: "ai queres? então trabalha para isso". Estou a fâze-lo amiga.
Ao Carlos, porque no dia a seguir à tempestade surgiu na minha vida como um raio de sol. Ainda hoje me ilumina sempre que está presente.


À Cláudia, pelas papas na língua que nunca teve... por me ter feito partilhar coisas nunca antes ditas. Por me ensinar a partilhar um espaço... Por ter muito mais do que demonstra. Pela sua ida para os Açores... mostrou-me que a saudade só surge quando sabemos que não vamos estar com a pessoa sempre que o desejamos...


Ao Bilal, pela intensidade com que entrou e "saiu" da minha vida. Pelos ensinamentos ainda mais fortes que deixou. Por me ter mostrado que o 'grande amor' precisa de muito mais do que amor... por me ensinar que mesmo estando 24h com uma pessoa, mesmo assistindo a todos os seus passos, a pessoa muda sem darmos conta... simplesmente porque a importância de determinadas experiências é intrapessoal. Porque detestava que dissesse 'adoro-te', 'sinto a tua falta', 'és importante para mim'. Não admitia que eu considerasse que alguém pudesse ser mais importante do que eu mesma, que venerasse outro alguém para além de mim. Assim, trocou aquelas expressões por outras mais bonitas: 'Amo-te', 'sinto saudades tuas'...
Por ter sido o Pai que nunca tive.
Era uma borboleta de asa partida quando me encontrou. Cuidou-me e libertou-me quando viu que já conseguia voltar a voar. Merci.


Á Joana, por me ter encantado! Mostrou-me que a amizade surge sem a procurarmos; floresce em cada partilha... Por me proporcionar momentos de verdadeira alegria, de verdadeira reflexão e de verdadeiro silêncio. Uma mistura que alimenta a vontade de a querer conhecer mais e mais... 'Pelos salpicos de ensinamento que absorvo em cada contacto.'
Por ser tão diferente e, ao mesmo tempo, tão igual.
Por ser tão humana e, ao mesmo tempo, tão irreal.


Ao João Nuno, por me fazer sentir alguém especial... por me tratar imensamente bem. Porque gostei dele só por meia dúzia de palavras enviadas por email, uma mera explicação que tanto me cativou. E mais tarde, quando me guiou pelos terrenos do Telhal, fez-me sentir em casa. Pelas palavras trocadas... pelo seu interesse pelo outro...


Ao Hugo, por me ter proporcionado praticar o Zen e, desse modo, ter-me ajudado a dar mais um passo na minha caminhada.


OBRIGADA
:D

Longe da vista, perto do coração (I)

À Dulce, a minha primeira confidente, o meu primeiro amor. A primeira pessoa que me mostrou o significado da bondade infinita... e também da pobreza extrema, sem nunca baixar os braços, sem nunca deixar de sorrir... Por ter "partido" com apenas 9 anos fez-me acreditar na vida depois da vida. Cabelos loiros e olhos azuis tinhas tu minha amiga, cabelos loiros e olhos azuis têm os anjos...
À Sónia, por me ter ensinado que depois do ódio vem o perdão; depois do perdão vem o amor...
Por ter sido a primeira pessoa que me deu a ideia da complexidade do ser humano e, por isso, a primeira que procurei compreender em toda a sua plenitude... sem nunca ter conseguido! Por me ter ensinado que a solidão existe mesmo no meio de muita gente... pela forma como me fez perceber que duas pessoas tão distintas podem ser grandes amigas.
Por ter sido uma excelente companheira durante toda a minha adolescência.
À Carina, por me ensinar o que era a ambição, o que era ser adulto mesmo em criança. Por tantas vezes ter partilhado as suas alegrias e tristezas comigo e, desta forma, ter-me feito compreender que a vida é feita de ciclos... que depois da tempestade vem a bonança... Por me mostrar que bens materiais não trazem felicidade... somente encobrem a tristeza. Por ainda hoje permanecer ao meu lado e, apesar das mudanças, ainda reconhecermos o valor uma da outra...
Ao Ricardo, por me ter tornado uma boa ouvinte... por me mostrar que muitas vezes substimamos as pessoas e muitas vezes elas nos surpreendem.
À Maria Inês e à Lúcia. À Inês por me ter dado a conhecer a Juventude Hospitaleira nos tempos de liceu... mesmo quando eu apenas queria resolver as questões do ego. Há um ano (re)descobri o que era a JH e, através dela, descobri o que desejo ser quando for "grande". À Lúcia por ter desaparecido da minha vida, no segundo ano da faculdade, sem que pudesse dizer o quanto a apreciava... ensinou-me que não devemos guardar as palavras para ocasiões especiais.
A ambas por terem seguido a vida religiosa, por não quererem perder mais tempo, pela dedicação aos outros: a primeira pela via da contemplação, a segunda por pôr as mãos na massa. Duas formas diferentes, duas formas precisas.
Por me fazerm notar que estou constantemente a perder tempo com coisas inúteis mas ainda assim necessárias para a minha evolução.

Maio = mês do coração

Hoje dedico este espaço áqueles que por motivos diversos se encontram mais longe do que gostaria e, apesar disso, permanecem no meu coração. Aos outros, os que estão presentes de forma constante, digo apenas: obrigada por serem quem são, obrigada por me permitirem ser quem sou.
O percurso de ida:
desconhecido - conhecido - amigo - grande amigo
O percurso de volta:
grande amigo - amigo - conhecido (- mas nunca mais será desconhecido)

"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." (Antoine de Saint-Exupery)

Amigo:
o que quer bem;

Amizade:
afeição;
amor;
dedicação;
benevolência.

21/05/2007

Vidas de silêncio

Se fizéssemos um minuto de silêncio por cada criança raptada correriamos o risco de ficar calados para sempre...

Ecos by ANA

15/05/2007

Cantarolar, gritar ou perguntar?

A minha vida não é mais do que um emaranhado de melodias.
Ás vezes apetece-me gritar até rebentar as artérias (1).
Outras vezes, o céu é de um azul profundo, sem nuvens, e permaneço na contemplação a cantarolar sunrise, sunrise (2). Outras ainda, pergunto: Quem me leva os meus fantasmas? Quem me salva desta espada? Quem me diz onde é a estrada... (3)

Ecos by ANA

1 - Da Weasel, Força (uma página de história)
2 - Norah Jones, Sunrise
3 - Pedro Abrunhosa, Quem me leva os meus fantasmas

Tenho fome, tenho frio

Tenho apetite de amor, de sorrisos, de harmonia.
Tremo por um manto que cubra a crueldade, a injustiça, e tudo o mais que me pesa no estomâgo.

Ecos by ANA

Fome

Sinto fome.
Ás vezes queria não ter sentidos... mas penso que esse desejo não consta da lista concedida pela fada madrinha.
Encolho-me para espantar a dor. Já sinto a barriga colada às costas. Ugh! E quando não penso em mais nada do que aqueles bolos da loja do senhor Zé, aparecem uns tipos, vindos do nada, a andar ao meu lado. Ena, são muitos.
"É amigo, pariu a galela foi?"
"Ah, você tem piada! 'tamos a marchar pela fome."
"Curioso"- pensei - parece que de repente ficou muita gente com fome. "Atão e o que vão fazer para matar a fome?"
"Oh amigo não somos nós que temos fome. Nós só queremos ajudar os outros."
"Mas querem ajudar todos?"
"Hoje é p'ra ajudar a Tanzânia"
Os meus pensamentos falam alto e acabo por dizer: "Epá essa senhora tem sorte".
"A Tanzânia?", "Ah ah ah, não é uma senhora é um país"
"Ah... nunca ouvi falar. Onde fica?"
"Fica lá pó estrangeiro. Bom amigo, gostei deste bocadinho mas vou começar a acelerar o passo. Até à vista."
Agora que o tipo me deixou volto a sentir o estomâgo a exigir uma comidinha. Ai... e agora parece que a fome voltou ainda mais esfomeada. Olho à volta. Ah, a mercearia! O senhor Zé está lá dentro. É boa pessoa mas da última vez ficou bravo por me ver a surripiar os bolinhos.
Bom, desta vez tenho de ser mais discreto.
Os tipos continuam a marchar pela fome...
Também eu vou marchar pela fome... ó se vou! Assim que tiver algo apetitoso nos bolsos, nem vou marchar, vou correr!

08/05/2007

Crenças

Ontem dizia (a sorrir) a um colega: "agora também faço parte dos descrentes. Já faço parte do teu clube!" Eu que o aborrecia imenso, porventura porque não conseguia entender a ausência de 'porquês' na sua cabeça; eu que o espicaçava sempre com as minhas eternas dúvidas na ânsia de o ouvir falar; eu que tinha dificuldade em aceitar que as pessoas não se questionassem sobre o que move todo este mundo; eu; eu; eu; sempre eu!
Ontem, quando o vi, as palavras sairam-me de rompante. Quase nem deu para pensar. E por isso mesmo acredito serem verdadeiras. Brotaram da alma sem passar pelo escrutínio do pensamento.
Depois de solta a afirmação recordei algo que me tinha dito no início deste ano: "oh Ana, que pergunta! Achas mesmo que não penso?! Se cheguei a estas conclusões é porque já tive um longo caminho atravessado por tudo o que é dúvida, não achas? Tive de pensar para perceber que não acreditava naquilo que a sociedade me impingia. Aquele deus de que as pessoas falam não faz sentido para mim. "
Ontem, paciente e sabiamente, apenas disse:
"Somos sempre crentes em alguma coisa. O que muda é a crença".
Fez-se luz! :)
E fez muito, muito sentido.
Percebi que faz parte da evolução...
Deste que li A Fórmula de Deus já tinha notado alguma aceitação, e sobretudo menos inquietação, relativamente ao nosso desígnio.
Compreendi que a resposta está dentro de nós, e não vale a pena torturarmo-nos com o tudo o resto.
Não deixei de questionar, apenas desisti de procurar fora. Comecei somente a separar o que tem sentido daquilo que nada me diz.
Ontem acreditava em Deus.
Hoje acredito no Homem.

07/05/2007

Dia e Noite



Enquanto é dia e o sol brilha tudo é luz que resplandesce e ofusca. Mas só na escuridão da noite vemos as verdadeiras estrelas.

Ecos by ANA
Julho 2006

06/05/2007

Just BE!

Hoje acordei a pensar na expressão "don't worry, be happy!".
Já a vi, por diversas vezes, com outros propósitos como, por exemplo, "don't worry, go shopping!".
E que tal se disséssemos "Don't think, just be!", acrescentando-lhe umas letras pequeninas em baixo dizendo "e experiencia o quão difícil é simplesmente ser"?
Não pensar, não processar tudo aquilo que recebemos através dos nossos sentidos, somente ser.
Há dias, enquanto conversava com o meu "mestre" de meditação Zen, disse que sentira uma imensa dificuldade inicial em abstrair-me de tudo o que me envolve (luz, ruído, imagens). Ele respondera-me dizendo que quando estamos neste "estado de ser" nós fundimo-nos com o ruído, com a luz, com tudo o que nos envolve... deixamos de ser nós e o resto. A unicidadede toma conta de tudo.
Os progressos já se fazem sentir. Sim, agora já consigo estar 3 segundos sem pensar!! :D
Parece rídiculo, não é? Experimentem! 1
Entretanto, encontrei um livro de Osho, Meditation for busy people, que continha umas frases muito pertinentes sobre esta questão. São bons koans (algo que transcende o conceito e a lógica) para se usar como tema de meditação:
"Sopt yourself. Stop yourself completely... just be present..."
"The whole will become a mirror, you will be reflected everywhere."
"You can live an extraordinary life in a very ordinary life."
Outras frases (recolhidas dos sites abaixo indicados) que também me marcaram:
Sem te auto-satisfazeres nas tuas circunstâncias favoráveis ou sem desprezares e rejeitares as tuas circunstâncias defavoráveis, encontra-te com este Agora tal como ele se dá, sê Isto, independentemente do que ele seja. Não só não há um tempo idêntico ao presente, como não há outro tempo senão o presente.
Estima-te e desperta
Hoje, amanhã, sempre
Primeiro, firma-te no caminho, depois ensina os outros,
E vence assim o sofrimento.
Para endireitares o que está torto,
Tens primeiro de fazer algo mais difícil -
Endireitares-te a ti mesmo. Tu és o teu próprio mestre.
Quem outro poderia ser?
Conquista-te
E descobre o teu mestre.
Aspiras a descobrires o teu Eu, mas acabas por descobrir que não há nada
a descobrir.
Para quem quiser saber mais:
[p.s. - lembrem-se que o simples facto de não querer pensar é, por si só, um pensamento! Não façam batota!! :p]