27/03/2007

Vida



Um simples sopro e tudo se cria

Um simples sopro e tudo se perde

Transformação: A arte de tudo perder para logo recriar


Nascimento: um nada que se faz tudo...

Morte: um tudo que se faz nada...

Viver: a arte de tudo e nada ser...


Ouço alguém que diz: "vive a vida, não perguntes porquê".
A surdez invade-me... mas o eco na minha mente persiste: "porquê?"

A vida é um sopro em que tudo acontece e nada se repete...






20/03/2007

Ser vs Ter

Quando as pessoas não valem pelo que são, fazem-se valer pelo que têm.

Ecos by Ana

19/03/2007

Interno vs Externo

Hoje partilho uma opinião sobre uma questão levantada por uma amiga. Contava-me a Joana: «Há coisa de dois ou três dias vi na televisão uma biografia de Leo Tolstoi. No remate do programa a voz off questionava-se em torno daquilo que teria levado alguém com tudo (entenda-se, uma mulher que amava, fortuna, valor literário e adoração do povo Russo) a pegar nas malas aos 80 e tal anos e a sair de casa com a índole de procurar o sentido da existência. Infeliz e ironicamente esta evasão do autor fê-lo apanhar uma pneumonia que o conduziria à morte. Esta imagem ficou-me na mente. Afinal que procuraria Tolstoi? Não teremos todos um pouco disso? Uma insatisfação permanente a filtrar a nossa tranquilidade? O que queremos nós? E o que simbolizará «o tudo» a que se referia a voz off ?»

Frequentemente penso que a eterna dicotomia interno vs externo é a melhor explicação para a busca incessante por parte do Homem. Tolstoi e a sua escolha espelham bem essa dicotomia na vida real (tal como o livro O Monge que vendeu o seu Ferrari o espelha na ficção). O “tudo” que ele tinha não o satisfazia, porquê? Para essa pergunta só ele tem a resposta, mas penso que todos nós procuramos o tal “algo que não se vê mas sente-se”. Certamente que ele não tinha tudo. O que era tudo à vista de tanta gente era nada para ele. O que buscaria? Uma explicação? Algo que lhe desse paz ao corpo e à mente nos anos de vida que lhe restavam? Algo que não o fizesse temer a morte? Talvez... quem sabe?

Durante a primeira metade da nossa vida buscamos bens materiais, um emprego, um casamento saudável, filhos lindos, bons amigos. Mas se para uns isso é tudo, para outros não é nada. A satisfação vem de dentro. E, na maioria dos casos, só depois dos cabelos brancos começarem a surgir que nos damos conta disso. As inúmeras vivências por que passámos não nos satisfazem e aí pensamos: “então se já tive e fiz tudo isto e aquilo e não estou satisfeito, o melhor é deixar de procurar por esta via”. Então, tenta-se seguir um caminho diferente, já que todos os outros não resultaram. Tolstoi tentou. Terá conseguido? Morreu a tentar pelo menos... Conseguiremos alcançar alguma vez esse estado de completa satisfação? Penso que não. A satisfação pressupõe uma paragem no tempo.

Como numa curva de Gauss, também nós começamos a percorrer o caminho em busca de algo que desejamos; assim que atingimos o ponto máximo (o momento em que descobrimos o que procurávamos e o desfrutamos), começamos logo a deixar cair esse desejo agora concretizado. Formulamos um novo desejo e o ciclo recomeça, para nunca ter fim. Ou seja, a satisfação permanente é uma ilusão. Seria, quanto muito, o somatório das satisfações dos muitos momentos que compõem a nossa vida.

Mas como não existem certezas, resta-me percorrer o caminho da vida com a esperança de que algo mude e, entretanto, consiga voltar a acreditar (qual Buda à espera da iluminação?) que o tal momento de satisfação explosiva surja e o tempo pare nesse preciso instante. Senão vejamos bem: nos filmes, o príncipe e a princesa passam o filme a tentar encontrar-se, vencem os tormentos provocados pela bruxa má, e quando (finalmente) o conseguem vemos aquele beijo envolvido num longo abraço, ouve-se o habitual “e viveram felizes para sempre”e o que se segue? FIM!! E aquilo que nos parecia a eternidade, não é mais do que um corte brusco no tempo. A eternidade espera-nos noutra dimensão. Porque não vemos ‘o príncipe e a princesa II: a continuação do Happy Day’?

Despertar

"A vida são dois dias e um é para acordar!"

in, algures num muro em Benfica!!!

16/03/2007

Contradições

8h15m.
Passaram quase duas horas desde que saiu de casa, andando de transporte em transporte em busca de chegar ao destino pretendido. Antes de o alcançar, encontrou um pobre sem-abrigo junto a uma das últimas paragens que percorre nos 5 dias úteis da semana. Sentado no mármore gélido que dá entrada para um dos muitos prédios em Alcântara, o senhor, com a idade a rondar os 60 anos, lê umas passagens gastas da Bíblia. Primeiro baque.

Observa o paradoxo. Questiona-se se acreditará em Deus ou se, simplesmente, a fé nunca chegou a existir na vida daquele homem.
Ele levanta-se e revista o caixote do lixo mais próximo... próxima estava também ela. Pouco mais que um metro. Pousou as pequenas folhas amareladas em cima do caixote como se de um diamante se tratasse. Afastou-se até ao caixote seguinte. Encontra um iogurte e o vazio que conserva lá dentro. Segundo baque.

Em passos lentos volta atrás para resgatar as folhas com as passagens bíblicas. Baixa-se e do chão apanha a beata ainda fumarenta. Ao seu lado, mas de costas voltadas, um outro indivíduo transporta dois caixotes cheios de pão até ao supermercado. Terceiro baque.

Ela não aguenta o formigueiro que começara a atormentá-la. Começa a agitar-se na fila enorme que entretanto se formou. Vê os carros topo de gama a passar; vê o autocarro ao fundo da rua. Hesita entre partir para a acção ou fugir dela. Sai da fila e começa a andar às voltas pelo passeio largo. Pensa na comida que tem na mala. Quer abordá-lo mas falta-lhe a coragem. “Porquê tanta gente na paragem? Seria tão mais fácil se estivessem sós... falar, tocar, reconfortar...”
Começa a irritar-se com a sua atitude. “Então é assim que pensas que o mundo muda, fugindo dos problemas? Cobardolas!” A voz interior não pára de espicaçá-la. Resolve aproximar-se, como que a ganhar balanço para o que gostava que viesse a seguir. "Tem fome?" Num sussurro (que serviu ambas as vontades - a de ser carinhosa e, simultaneamente, inaudível para os que estavam à volta) a pergunta saiu. Não havia tempo a perder. Enquanto ouvia a resposta sacou dos lanches (matinal e vespertino) que preparara em casa. Pousou as coisas ao seu lado. "Espero que goste". Perdera uma bela oportunidade para estar calada. Como não haveria de gostar, pensou ela. Desde quando é que uma pessoa esfomeada é esquisita? Desejou-lhe um bom dia com os lábios a entreabrirem-se, naquilo que queria que fosse um sorriso de esperança. As mãos tentaram tocar, num gesto aconchegante, a samarra que vestia.
Fugiu. Ainda lhe ouviu os espirros provocados pelo frio. De costas voltadas, virou a primeira esquina. Enquanto subia a calçada em direcção à próxima paragem, as lágrimas desciam. "Às vezes", a reposta inesperada. Esperava um sim ou não, mas o "às vezes" fez despertá-la para a realidade: a fome não pertence só ao dia de hoje. Ao aqui e agora. É algo que acontece várias vezes ao dia... ao final da semana é um rol de vezes. Para quem toma as refeições sempre a horas, a fome surge 4/5 vezes por dia... vem e vai, vem e vai. Para quem não tem este privilégio, a fome vem para ficar durante tempo incerto; tão incerto quanto a comida que a sacia.

Chegada ao destino sorri com mais uma contradição. Há pouco a mala estava cheia, agora que está vazia consegue facilmente retirar o telemóvel. Verifica as horas no telemóvel: meia hora atrasada. Atrasada? Não tem compromissos rígidos, o trabalho pode esperar. Também ela já estava com fome. O copo de leite há muito que se evaporou do estômago. Em menos de um minuto voltou a encher a mala com a comida que comprou.
Ao procurar uma mesa para tomar o pequeno-almoço encontrou dois panfletos: Conferência Internacional: A cidade é de tod@s – Democracia, Integração, Urbanismo; Congresso CAIS, o segundo. A ironia do destino provocou-lhe mais um sorriso.
Recordou as palavras de um professor: "Dar o que não nos faz falta não presta para nada; Dar o que nos faz falta é sempre mais complicado mas também mais necessário".
Já no local de trabalho, abre a pasta. A Ignorância, de Milan Kundera, salta à vista. Percebe a lição que a manhã lhe quis mostrar: não se trata da ignorância das letras. Resume-se à ignorância do mundo, à ignorância do outro, à ignorância de nós.

P.S. - Ela gostaria que este fosse apenas mais um capítulo de um qualquer romance, mas infelizmente, isto não é pura ficção. Acontece à nossa volta, sem avisar... basta estarmos de olhos abertos...

15/03/2007

Grande Reportagem

A SIC generalista apresenta a grande reportagem aos domingos à noite. Deixei-me surpreender com dois temas nas últimas semanas: "Esperança de vida" e "Mundos paralelos".
O primeiro centra-se nas histórias de 10 reclusos das cadeias de Sintra, Leiria, Castelo Branco e Beja. O destaque vai para o curso de empreendedorismo que a GesEntrepreneur está a desenvolver, desde há 9 meses, em estabelecimentos prisionais espalhados pelo país – o Programa de Empreendedorismo para a Reinserção Social de Reclusos (PERSR).
O PERSR pretende alterar a atitude, frequentemente, negativa que os reclusos têm perante si próprios e o rumo das suas vidas. O empreendedorismo surge, assim, como um alicerce para a reinserção destas pessoas.
Gostei particularmente de uma frase de um recluso: "Eu estou preso mas com a minha mente vou a todo o lado".
A segunda grande reportagem dá-nos a conhecer o mundo dos surdos e cegos; Entra no mundo desconhecido destas comunidades e mostra-nos como um mundo sem som e um mundo sem imagem não têm de ser lugares de infortúnio e de incapacidade. 1
Gosto de pensar que esta é uma boa forma de socializar as pessoas para a diferença. Ser diferente nas capacidades não significa ser diferente nos desejos, dúvidas e motivações. E se a diferença é vista por muitos com algo negativo, a indiferença, para mim, é o pior de todos os males.
__________

Referendar está na moda

Decorrido um mês desde o último referendo, eis que o Santana (leia-se Pedro Santana Lopes) já vem sugerir que seja feito um novo referendo... sobre a construção do novo aeroporto na Ota!
Será que se tomou o gosto aos gritos de guerra do 'sim' e do 'não'? Talvez um referendo sobre esta matéria atraisse mais eleitores até às urnas... Se 56,43% das pessoas não se pronunciaram sobre uma questão que importa a todos, como é possível ainda pensar-se em novos referendos em Portugal?
Começo a concordar com um colunista do Público que defendia que o referendo é um auxiliar deveras importante sempre que o governo não sabe como agir.
Mas se metade não vota e da restante meia parte, uns dizem sim e outros dizem não... será que ficamos todos esclarecidos?

08/03/2007

Terráqueos

Terráqueo: aquele que habita a Terra.
Enviaram-me hoje um documentário sobre as relações entre animais humanos e não-humanos que está disponível em:

http://www.youtube.com/watch?v=VQHVCzHM-4k
(nota: são mostradas 2 imagens mais fortes mas mesmo assim vale a pena ver)

Urge cada vez mais a necessidade de divulgar e, mais importante ainda, consciencializarmo-nos para a igualdade (na diferença) das espécies.
Na essência somos todos iguais: ninguém é, portanto, superior ou inferior. Mas, infelizmente, bem sei que este preconceito em relação ao "outro" nasce, vive e morre na cabeça de cada um. Falar sempre foi mais fácil que fazer. Resta-me a esperança que persistam estas mensagens que muito contribuem para o despertar de consciência e de apoio à igualdade entre todos os seres.
Aqui fica um pequeno excerto do que lá se pode encontrar:
"Uma vez que todos habitamos a Terra, somos todos considerados terráqueos. Não ha sexismo, racismo ou espécismo no termo terráqueo. Ele abrange cada um de nós: de sangue quente ou frio; mamífero, vertebrado ou invertebrado; pássaro, réptil ou anfíbio, peixes e humanos.
Os humanos, então, não sendo a única espécie no planeta, compartilham este mundo com outros milhares de criaturas vivas, já que todos vivemos aqui juntos. No entanto, é o terráqueo humano que tende a dominar a Terra. Frequentemente, tratando os outros terráqueos e seres vivos como meros objectos. Isso é o que significa espécismo. Por analogia ao termo racismo e sexismo, o termo especismo é um preconceito ou atitude tendenciosa em favor dos interesses dos membros da sua própria espécie e contra os membros das outras espécies.
Não importa a natureza do ser, o princípio da igualdade requer que um sofrimento deva ser considerado igual a um sofrimento semelhante a qualquer outro ser.
Os racistas violam o princípio da igualdade dando um maior valor aos interesses da sua própria raça, quando há conflito entre os seus interesses e os interesses de uma outra raça.
Os sexistas violam o princípio da igualdade favorecendo os interesses do seu próprio sexo .
De forma similar, os espécistas permitem que aos interesses da sua própria espécie se sobreponham interesses maiores dos membros de outras espécies.
Racismo, sexismo ou espécismo - em cada um dos casos, o padrão é identico.
Moralmente, o tratamento desrespeitoso acontece quando aqueles que se encontram no poder e tem uma relação de poder, tratam os menos podererosos como se fossem meros objectos. Humanos que têm poder exploram aqueles que não o têm.
Sem dúvida existem diferenças, uma vez que humanos e animais não são iguais em todos os aspectos.
A questão da igualdade usa uma outra face. Concordamos que estes animais não têm todos os desejos que um humano tem. Concordamos que eles não compreendem tudo o que nós humanos compreendemos. No entanto, nós temos alguns desejos e compreendemos coisas que eles também compreendem. O desejo por comida e água, abrigo e companhia, liberdade de movimento e de não sentir dor. Esses desejos são compartilhados por animais não-humanos e humanos.
Como os humanos, muitos animais não-humanos entendem o mundo no qual vivem. Senão eles não poderiam sobreviver. Então, apesar de todas as diferenças, há igualdade. Como nós, esses animais incorporam o maravilhosos mistério da consciência. Como nós, eles não somente estão no mundo, como estão cientes dele. Como nós, eles são o centro psicológico de uma vida que é somente sua.
Nestes princípios fundamentais, humanos estão lado-a-lado com porcos, vacas, galinhas e perus. Qual é a nossa obrigação com esses animais? Como devemos tratá-los moralmente? São perguntas cujas respostas começam com o reconhecimento da nossa semelhança psicológica com eles."

Sonhos

"Sonhar é o que nos move, é que nos faz ir mais além, ultrapassar todas as adversidades e ir a novos níveis, mas para isso é preciso acreditar, é preciso lutar."

in www.infonature.org