Hoje partilho uma opinião sobre uma questão levantada por uma amiga. Contava-me a Joana: «Há coisa de dois ou três dias vi na televisão uma biografia de Leo Tolstoi. No remate do programa a voz off questionava-se em torno daquilo que teria levado alguém com tudo (entenda-se, uma mulher que amava, fortuna, valor literário e adoração do povo Russo) a pegar nas malas aos 80 e tal anos e a sair de casa com a índole de procurar o sentido da existência. Infeliz e ironicamente esta evasão do autor fê-lo apanhar uma pneumonia que o conduziria à morte. Esta imagem ficou-me na mente. Afinal que procuraria Tolstoi? Não teremos todos um pouco disso? Uma insatisfação permanente a filtrar a nossa tranquilidade? O que queremos nós? E o que simbolizará «o tudo» a que se referia a voz off ?»
Frequentemente penso que a eterna dicotomia interno vs externo é a melhor explicação para a busca incessante por parte do Homem. Tolstoi e a sua escolha espelham bem essa dicotomia na vida real (tal como o livro O Monge que vendeu o seu Ferrari o espelha na ficção). O “tudo” que ele tinha não o satisfazia, porquê? Para essa pergunta só ele tem a resposta, mas penso que todos nós procuramos o tal “algo que não se vê mas sente-se”. Certamente que ele não tinha tudo. O que era tudo à vista de tanta gente era nada para ele. O que buscaria? Uma explicação? Algo que lhe desse paz ao corpo e à mente nos anos de vida que lhe restavam? Algo que não o fizesse temer a morte? Talvez... quem sabe?
Durante a primeira metade da nossa vida buscamos bens materiais, um emprego, um casamento saudável, filhos lindos, bons amigos. Mas se para uns isso é tudo, para outros não é nada. A satisfação vem de dentro. E, na maioria dos casos, só depois dos cabelos brancos começarem a surgir que nos damos conta disso. As inúmeras vivências por que passámos não nos satisfazem e aí pensamos: “então se já tive e fiz tudo isto e aquilo e não estou satisfeito, o melhor é deixar de procurar por esta via”. Então, tenta-se seguir um caminho diferente, já que todos os outros não resultaram. Tolstoi tentou. Terá conseguido? Morreu a tentar pelo menos... Conseguiremos alcançar alguma vez esse estado de completa satisfação? Penso que não. A satisfação pressupõe uma paragem no tempo.
Como numa curva de Gauss, também nós começamos a percorrer o caminho em busca de algo que desejamos; assim que atingimos o ponto máximo (o momento em que descobrimos o que procurávamos e o desfrutamos), começamos logo a deixar cair esse desejo agora concretizado. Formulamos um novo desejo e o ciclo recomeça, para nunca ter fim. Ou seja, a satisfação permanente é uma ilusão. Seria, quanto muito, o somatório das satisfações dos muitos momentos que compõem a nossa vida.
Mas como não existem certezas, resta-me percorrer o caminho da vida com a esperança de que algo mude e, entretanto, consiga voltar a acreditar (qual Buda à espera da iluminação?) que o tal momento de satisfação explosiva surja e o tempo pare nesse preciso instante. Senão vejamos bem: nos filmes, o príncipe e a princesa passam o filme a tentar encontrar-se, vencem os tormentos provocados pela bruxa má, e quando (finalmente) o conseguem vemos aquele beijo envolvido num longo abraço, ouve-se o habitual “e viveram felizes para sempre”e o que se segue? FIM!! E aquilo que nos parecia a eternidade, não é mais do que um corte brusco no tempo. A eternidade espera-nos noutra dimensão. Porque não vemos ‘o príncipe e a princesa II: a continuação do Happy Day’?
Frequentemente penso que a eterna dicotomia interno vs externo é a melhor explicação para a busca incessante por parte do Homem. Tolstoi e a sua escolha espelham bem essa dicotomia na vida real (tal como o livro O Monge que vendeu o seu Ferrari o espelha na ficção). O “tudo” que ele tinha não o satisfazia, porquê? Para essa pergunta só ele tem a resposta, mas penso que todos nós procuramos o tal “algo que não se vê mas sente-se”. Certamente que ele não tinha tudo. O que era tudo à vista de tanta gente era nada para ele. O que buscaria? Uma explicação? Algo que lhe desse paz ao corpo e à mente nos anos de vida que lhe restavam? Algo que não o fizesse temer a morte? Talvez... quem sabe?
Durante a primeira metade da nossa vida buscamos bens materiais, um emprego, um casamento saudável, filhos lindos, bons amigos. Mas se para uns isso é tudo, para outros não é nada. A satisfação vem de dentro. E, na maioria dos casos, só depois dos cabelos brancos começarem a surgir que nos damos conta disso. As inúmeras vivências por que passámos não nos satisfazem e aí pensamos: “então se já tive e fiz tudo isto e aquilo e não estou satisfeito, o melhor é deixar de procurar por esta via”. Então, tenta-se seguir um caminho diferente, já que todos os outros não resultaram. Tolstoi tentou. Terá conseguido? Morreu a tentar pelo menos... Conseguiremos alcançar alguma vez esse estado de completa satisfação? Penso que não. A satisfação pressupõe uma paragem no tempo.
Como numa curva de Gauss, também nós começamos a percorrer o caminho em busca de algo que desejamos; assim que atingimos o ponto máximo (o momento em que descobrimos o que procurávamos e o desfrutamos), começamos logo a deixar cair esse desejo agora concretizado. Formulamos um novo desejo e o ciclo recomeça, para nunca ter fim. Ou seja, a satisfação permanente é uma ilusão. Seria, quanto muito, o somatório das satisfações dos muitos momentos que compõem a nossa vida.
Mas como não existem certezas, resta-me percorrer o caminho da vida com a esperança de que algo mude e, entretanto, consiga voltar a acreditar (qual Buda à espera da iluminação?) que o tal momento de satisfação explosiva surja e o tempo pare nesse preciso instante. Senão vejamos bem: nos filmes, o príncipe e a princesa passam o filme a tentar encontrar-se, vencem os tormentos provocados pela bruxa má, e quando (finalmente) o conseguem vemos aquele beijo envolvido num longo abraço, ouve-se o habitual “e viveram felizes para sempre”e o que se segue? FIM!! E aquilo que nos parecia a eternidade, não é mais do que um corte brusco no tempo. A eternidade espera-nos noutra dimensão. Porque não vemos ‘o príncipe e a princesa II: a continuação do Happy Day’?
2 comentários:
É só para dizer que gostei muito do escreveste!Tens jeito para isso e conseguiste me tocar profundamente!Eu tento ter um pouco de tolstoi em mim para poder dar sentido a minha vida...mas há alturas que acho que devia ter mais...E tu já fizeste ao caminho como Tolstoi?ou vais esperar que tenhas cabelos brancos!beijocas
Passamos a vida à procura da felicidade e, quando finalmente a experienciamos, deixamo-la escapar tão rapidamente que duvidamos se foi mesmo verdade. Assim, a sua essência alcança a plenitude apenas num plano infinitesimal.
Mas porquê?
A respota poderá estar na satisfação da procura incessante. O que à primeira vista parece ser o fim, é na verdade o caminho em si mesmo.
A procura ensina-nos a dar VALOR às nossas conquistas, permite-nos reflectir sobre as coisas e questionar as nossas próprias acções...
Proporciona aprendizagem e evolução...
Talvez, a "felicidade absoluta" não passe de um mito!
Um mito que nos ensina a sorrir em cada passo diferente que damos...
Não serão Estes, os momentos de verdadeira FELICIDADE?!
P.S.: E, relativamente aos finais felizes, há um ditado popular: "E se no final eles vivem felizes para sempre, é porque a história ainda não acabou!" :p
Um beijo* grande Pensadora :D
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