08/05/2007

Crenças

Ontem dizia (a sorrir) a um colega: "agora também faço parte dos descrentes. Já faço parte do teu clube!" Eu que o aborrecia imenso, porventura porque não conseguia entender a ausência de 'porquês' na sua cabeça; eu que o espicaçava sempre com as minhas eternas dúvidas na ânsia de o ouvir falar; eu que tinha dificuldade em aceitar que as pessoas não se questionassem sobre o que move todo este mundo; eu; eu; eu; sempre eu!
Ontem, quando o vi, as palavras sairam-me de rompante. Quase nem deu para pensar. E por isso mesmo acredito serem verdadeiras. Brotaram da alma sem passar pelo escrutínio do pensamento.
Depois de solta a afirmação recordei algo que me tinha dito no início deste ano: "oh Ana, que pergunta! Achas mesmo que não penso?! Se cheguei a estas conclusões é porque já tive um longo caminho atravessado por tudo o que é dúvida, não achas? Tive de pensar para perceber que não acreditava naquilo que a sociedade me impingia. Aquele deus de que as pessoas falam não faz sentido para mim. "
Ontem, paciente e sabiamente, apenas disse:
"Somos sempre crentes em alguma coisa. O que muda é a crença".
Fez-se luz! :)
E fez muito, muito sentido.
Percebi que faz parte da evolução...
Deste que li A Fórmula de Deus já tinha notado alguma aceitação, e sobretudo menos inquietação, relativamente ao nosso desígnio.
Compreendi que a resposta está dentro de nós, e não vale a pena torturarmo-nos com o tudo o resto.
Não deixei de questionar, apenas desisti de procurar fora. Comecei somente a separar o que tem sentido daquilo que nada me diz.
Ontem acreditava em Deus.
Hoje acredito no Homem.

1 comentário:

Anónimo disse...

Gostei mt deste teu pequeno excerto de pensamentos íntimos... mas o q gostei + ainda foi da tua conclusão...
sim, vamos acreditar no Homem!... ao menos a ele podemos queixar-nos, (directamente)! :p

*muah*