02/07/2007

Jacarandás



7h30. Passo no Marquês de Pombal a correr. Avisto os jacarandás que enfeitam o local.


Hoje não sinto a alegria de outros dias. Hoje não sinto a doçura daquelas árvores.


A tristeza, que ameaçou entrar sem bater à porta, já se instalou na minha mente.


Olho para aquelas árvores robustas e, ao contrário do que havia acontecido durante os dois meses anteriores, vejo que as flores lilases que as cobriam estão agora caídas, espalhadas pela calçada...


"Desnudaram-se", penso eu. Despojaram-se do mais precioso que tinham: a cor e o cheiro. Voltaram a ser aquilo que foram durante o resto do ano: árvores. As flores foram a excepção, o bónus concedido pela Primavera.


Não consigo deixar de me sentir como se me tivessem roubado a jóia mais valiosa...


Recordo as palavras do Daniel Sampaio (aquando do fim da revista Xis): o que é bom não dura eternamente.


Bem sei que se assim fosse talvez deixasse de o valorizar... e, portanto, é melhor prevenir!


Resta-me a esperança de que para o ano cá estarei para apreciar estas belas ávores robustas carregadas de lilás... nessa altura voltarei a sorrir e a contemplar a sua perfeição.

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