09/11/2007

Leben ist Lebensgefährlich

Quando me cruzei contigo as frases chocantes que ouvi no noticiário das 20h, dias atrás, emergiram imediatamente à memória. Mas não vieram sós. Atrás, traziam também o meu mal-estar e a recordação de duas noites mal dormidas. Perguntei-te precipitadamente (mas a rezar para que respondesses “não”) se eras sensível às notícias más que ouvias. Mal te dei tempo para abanar a cabeça e contei-te tudo. O tudo resumia-se a meia dúzia de palavras que receio que transcritas nem chegassem a uma linha.

Senti alívio no desabafo. Era a primeira vez, desde que os meus ouvidos captaram aquelas revelações de um profissional do zoo de Lisboa, que demonstrava a minha indignação. Afinal de contas, és formada em Antropologia. Quem melhor do que tu para compreender a minha revolta? Mas não… não digo que foste incapaz de compreender, mas sim que viste o problema numa outra perspectiva. Tu focaste-te na perversão do homem. Eu foquei-me no sofrimento animal.

Raras vezes ouso dizer tal coisa: receio ter a visão mais correcta. Não me leves a mal quando digo que sei o que o homem sente; também sou humana. Mas não sei o que sente um animal quando é vítima de maus tratos e abusos... e isso angustia-me muito mais.

"Tenho saudades do tempo em que os animais não falavam"
[Autores não publicados]

Leben ist Lebensgefährlich -> "A vida é perigosa para a vida"

Vem-me à memória a célebre frase de que “o homem é o principal inimigo do animal”… ainda que haja quem pense o contrário!

Ecos by Ana

1 comentário:

Anónimo disse...

Minha amiga, que bom assistir à renovação deste teu espaço.Está perfeito para o deslindar da nova etapa, mas não é por isso que te escrevo. Há dias fiz um comentário a um excerto deste post no meu blog, não sei se viste. Retirei-o entretanto, porque de alguma forma senti que ficou aquém das tuas palavras e daquilo que verdadeiramente pensei quando as li. Sabes, às vezes tendemos a procurar frases de grandes mestres para servirem de bengala às nossas convicções quando na realidade elas poderão estar mesmo ali à nossa beira. Sempre senti essa incapacidade de visualizar o sofrimento dos animais e se é verdade que a guerra entre os homens me aflige, a destes com os animais angustia-me muito mais. Nunca soube foi explicar muito bem porquê. O teu texto é genial por precisamente nos orientar para a resposta. Obrigada amiga.
"Raras vezes ouso dizer tal coisa: receio ter a visão mais correcta. Não me leves a mal quando digo que sei o que o homem sente; também sou humana. Mas não sei o que sente um animal quando é vítima de maus tratos e abusos... e isso angustia-me muito mais".