30/04/2007

Quem sou?

Sou humana.
Este é o meu dom
e a minha maldição.
Quem sou eu?
Sou eu!
.
.
.
Única,
como cada um de vós!
[Bem sei que isto está a tornar-se monotemático; perdoem-me o excesso de interrogações e a escassez de respostas... ]
Ecos by ANA

27/04/2007

Perdi-me (no tempo)

A propósito do ciclo de mudança que todos nós atravessamos e da impermanência que lhe é inerente, encontrei ontem uns rabiscos que datam de 2005. Foi curioso verificar que embora algumas coisas mudem rapidamente nas nossas vidas outras subsistem sob todas as formas.


Perdi-me (no tempo)

Vinte e um anos passaram...
Na corrente do tempo naveguei...
Sem saber de onde vim e para onde vou
é difícil descobrir quem sou!


Inconstância

Mudam as gentes
Mudam os lugares
Mudam os sonhos
Mudam os medos

Só não muda a minha ânsia de mudar!

[Pergunto-me o porquê de nos continuarmos a preocupar com estas questões se sabemos, à partida, que não há uma resposta que nos satisfaça por completo... o que procuramos afinal?
Alguém tem A resposta?]
Ecos by ANA

24/04/2007

:: CETERIS PARIBUS ::













CETERIS PARIBUS = e tudo o resto constante...



Como gostava de poder usar mais vezes esta expressão!


Silenciar os pensamentos... simplesmente sentir... [1]
Deter o tempo... somente desfrutar...


Mas o tempo não pára e nós também não. Os pensamentos vão e voltam, quase sem darmos por isso. Nada neste mundo (até prova em contrário) sobrevive às leis da mudança, ao ciclo que é nascer, crescer e morrer; qual roda de samsara sempre a girar...

Não acredito na permanência absoluta dos seres e objectos, talvez por isso, tenha assumido a inconstância como uma companheira de viagem.


Mas se até Einstein nas suas teorias não considerou as variações na velocidade da luz, quem sou eu para afirmar que tal permanência não existe! [risos]


Mais do que tudo, gostaria de poder dizer: Mudam as gentes, mudam os lugares, permanecem os sonhos...


[1. Pergunto-me se alguma vez conseguiremos dissociar a sensação do pensamento gerado na mente... o que seria sentir sem a consciência de tal acto? ]

Ecos by Ana

23/04/2007

:: Pátria Mestiça ::

Por Baptista-Bastos

in Diário de Notícias
Cada vez há mais estrangeiros a pedir a nacionalidade portuguesa. Brancos, pretos, amarelos, castanhos, entre o loiro e o germânico, entre o glabro e o felpudo, eis uma sulevação de cores e de fácies; um bulício de idiomas que noivam o nosso edioma para exprimir a dor e o riso, a infância e a paixão, a lembrança e o sonho. Tocaram no batente da casa comum à procura, afinal, do que comum é ao homem: um pouco de felicidade. E deitam-se no mesmo leito onde, outrora, suecos e visigodos, fenícios e romanos, àrabes e celtas procriaram os miscigenados que todos nós somos.
A sintaxe da nossa ascendência possui qualquer coisa de genital. Não foi, somente, a delimitação do território que construiu uma pátria e moldou uma língua. Também não foi, apenas, o ferro do montante que marcou a identidade. O que definiu o nosso destino foi a argila de um aparticular nativismo, nascido na cama do amor, no suor dos corpos, na festa do sexo. Nascemos do prazer. Saimos portugueses desse almofariz de raças, no entreacto de guerras e de confrontos políticos.
A negação da nossa mestiçagem configurará o assassínio da nossa entidade, e atribui a quem a pratica o estofo de um canalha. Assim como o ódio exposto, arrogantemente, em placard, demonstra algo de doentio. Somos uma nação de heterónimos, cheios de coragens e superstições. Um pisar de caminhos antigos puxa-nos as pernas para o imponderável. Fluxos de muitos sangues fazem pulsar o modo de como aqui estamos.
Há uma relatório, "Inter Lusitanos", endereçado a Nero por Políbio Garbus, poeta e procônsul romano, o qual nos retrata como gente estranha, imputando fraqueza de espírito a uma nossa particularidade: a indiferenciação fundamental dos indivíduos. E adianta: o desdém pelas regras criou nos lusitanos uma relativa igualdade de raças. ara um patrício, educado numa sociedade extremamente hierarquizada, este modelo estava desprovido de lógica social, política e filosófica.
As coisas prosseguiram séculos atrás de séculos. Quando D. Manuel I manda proceder à matança de judeus, num domingo de Pascoela, a 19 de Abril de 1506, liquida a cultura dos afectos e de livre partilha dos saberes até então simplificada no reconhecimento da alteridade.
Mas a História não pára o tempo que dentro de si acalenta. Foi-nos legado um bragal aberto ao mundo, entre intimidades, solidões, angústias e despedidas. Eis porque precisamos de todos os que nos procuram, porque sempre procurámos todos aqueles de qe precisamos.

:: o tabu dos imigrantes ::

Por Rui Pedro Baptista
in metro
É talvez um dos locais de Lisboa onde passam todos os dias mais carros. Por ali circulam milhares de viaturas, de pessoas. Todos os dias, a cada hora. Exactamente na rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa, no centro da cidade, foi colado um cartaz. Daqueles grandes que tanto servem para vender sumo, como telenovelas ou detergentes. Este limita-se a dizer que "basta de imigração". A entidade responsável pela colocação é um partido, alegadamente - desculpem-me a incapacidade de catalogar as diferentes opções políticas -, de extrema-direita, ou nacionalista. E por isso mesmo logo se levantou um coro de protestos. Ora quem colocou ali aquela mensagem, está no seu direito. Assim como estão os que não concordam com essa mesma ideia. É o meu caso.
Sempre que dou de caras com uma notícias sobre o aumento do desemprego, não me ocorre que a culpa seja dos ucranianos, angolanos, brasileiros ou espanhóis que estão cá a "roubar-me" o emprego. Da mesma forma que se um dia alguma empresa me fizer um convite para ir trabalhar para Londres ou Paris, em condições mais vantajosas, não vou pedir desculpa aos meus colegas ingleses ou franceses pela opção que fiz. O mercado de trabalho é global. As empresas são cada vez mais globais. Esta é a razão profissional. Racional. Empresarial, se preferir.
Depois existem as outras razões. Os outros motivos. Para além do sotaque ou da cor de pele, mais clara ou mais escura, nunca encontrei nenhuma diferença, por exemplo, entre um empregado de mesa, um médico ou um condutor de táxi, de origem africana, brasileira, cubana, espanhola ou filandesa. Apenas acontece que às vezes sou melhor servido, outras nem tanto. Uns profissionais são mais simpáticos, outros nem por isso. Mas todos são pessoas. Presumo que trabalham oique precisam de dinheiro. Acreditam que estão em Portugal porque, eventualmente, têm melhores condições. Apenas isso. São iguais em tudo a mim próprio. Por isso é-me absolutamente indiferente que sejam deste ou daquele país, como não me importa que sejam deste ou daquele clube ou partido político. Nacionalidades não definem profissionalismo.
Um país como Portugal que, neste momento, entre primeiras e segundas gerações de emigrantes, deve ter mais de quatro ou cinco milhões de nacionais fora de portas, deveria ter, pelo menos por isso, algum cuidado quando pondera fechar as portas aos imigrantes. É uma questão de bom senso. Como o é considerar cada pessoa como um ser humano com deveres mas também direitos, independentemente do local onde mora. Onde tenta ganhar a vida.

Liberdade de expressão ou Liberdade de opressão?










A propósito do cartaz do PNR:



Há já alguns dias que temos sido confrontados com este despropositado (não consigo ver nenhum objectivo a não ser levar o partido às luzes apagadas da ribalta!) cartaz. Ele deixou de estar apenas no marquês do Pombal. Agora está por todo o lado: na conversa com os amigos, nos vários orgãos de comunicação, até no CENJOR, onde tive a oportunidade de gravar uma (cómica) entrevista sobre o mesmo. Dizia eu para a câmara: É revoltante!!! Inicita à discriminação!! Para mim, aquele senhor (José Pinto Coelho) é que devia meter-se no avião e ir embora, e para bem longe!!


Gerou risos, muitos até. Não só pelo conteúdo mas também pela expressividade com que o fiz.


Hoje já não tenho o microfone à minha frente, nem estou a fazer qualquer exercício televisivo. Tenho apenas um teclado e um monitor, onde vou dando corpo ao pensamento. Gostava de poder gritar a revolta que me vai na mente, mas as novas tecnologias apesar de não parecerem são (ainda) limitadas.


Deixo,então, duas crónicas sobre o assunto. Pela sua sensibilidade, verdade, e firmeza de opinião.


[Desigualdades de ordem física ou cultural não invalidam a condição humana inerente a todos e a cada um!].

19/04/2007

Longe mas próximo...

Por vezes, as pessoas podem desiludir-nos quando delas nos aproximamos. Frequentemente, descobrimos algo que não desejávamos e percebemos que temos formas diferentes de ser e estar perante a vida. Nem sempre é fácil lidar com essas diferenças. Nesses momentos, verificamos que a palavra tolerância é dificil de concretizar. E, amiúde, temos de aceitar sem compreender, outras porém, compreendemos sem aceitar...
Felizmente, ainda existem pessoas que continuam a ter a graça de estar suficientemente perto para atrair mas suficientemente longe para admirar...
Ecos by ANA

11/04/2007

Laços

"Não podemos viver isolados porque as nossas vidas estão ligadas por mil laços invisíveis."

Herman Melville

Correr ou parar?

Era uma vez um homem que corria e corria pela vida... A vida era curta e necessitava de correr muito para gozar muito e ser feliz. E quanto mais corria, mais necessitava de correr! Descobria sempre mais lugares para visitar! Necessitava encontrar tudo e gozar de tudo. Até que um dia, cansado de tanto correr, parou. Então, a felicidade pôde alcançá-lo.

In, Não há soluções, há caminhos

01/04/2007

1 de Abril

"O 1 de Abril é o dia do ano em que nos lembramos do que somos nos restantes 364 dias."

Mark Twain