23/07/2007

Férias

Férias: Doce repouso da alma; contentamento descansado do corpo.
Finalmente, o fim!
Enquanto uns foram mais além, outros ficaram aquém.
E desta vez, nem posso dizer para o ano há mais.
Ainda me lembro quando em criança pedia para passar toda a minha vida na escola. Queria ser professora... mas o tempo encarregou-se de mudar os meus desejos.



Adoro esta sensação de colocar a mala às costas (mesmo quando fico a pesar o dobro!) como se partisse à descoberta do mundo... Desta vez, rumo até Porto Côvo.

E num dia em que o sol está longe de brilhar apenas anseio por ver o rosto das minhas companheiras de aventura...

Voltarei muito em breve para contar o que por lá aprendi... Boas férias/trabalho/estudo!

16/07/2007

Todos Diferentes, Todos Iguais





Na festa da diversidade e da igualdade de oportunidades, realizada este fim-de-semana no Terreiro do Paço, entregaram-me uns panfletos com umas palavrinhas que já todos ouvimos mas que nunca são demais...




Quando vês nacionalidade, raça ou credo não vês a pessoa!



Vê as pessoas pelos teus olhos, não pelos olhos do preconceito.




A discriminação ataca por diversas frentes: ela multiplica-se
Sexo
Etnia
Condição Económica
Orientação Sexual
Origem
Língua
Profissão


Vê o que os outros têm para te mostrar, ouve o que têm para te dizer. Informa-te sobre as diferenças, participa nas discussões, forma a tua opinião e partilha os teus pontos de vista.

Porque este mundo também é feito por ti, não deixes que se discuta e que sejam outros a decidir.

O Fim da Picada

in Penitude, nº48 *

A cena é conhecida.
O escorpião contorcia-se na água tentado escapar do inevitável afogamento.
O homem sábio observa-o, aproxima-se, e com a mão tenta ajudá-lo. Mas logo leva uma valente ferroada. Nova tentativa, nova picada e o fim certo para o bicho: o inevitável afogamento. Contudo, não obstante a reacção hostil, o homem sábio não desiste.
Cauteloso, utiliza então um pequeno galho e arrasta o escorpião para fora do charco, salvando a criatura.
___________________________________
Quando as impiedosas picadas da vida
intentam em afrontar o que és, ainda assim
não deixes de ser o que és.
Continua a oferecer o teu melhor.
Não contraries a tua natureza benigna
ainda que sejas violentamente ferido
dentro de ti mesmo, porque na tua simplicidade apenas tentavas audar.
Continua a oferecer o teu melhor.
Não te curves perante as circunstâncias.
Sê apenas mais cuidadoso.
Aprende a ser mais prudente como a serpente,
mas mantêm a simplicidade das pombas,
pois os tesouros que tens guardados dentro de ti
são a tua essência,
e essa jamais alguém a poderá roubar.
Sara as feridas e não mudes
o que de melhor há em ti, porque é isso
que te faz diferente e único neste mundo
e tu és precioso demais.
Continua a oferecer o teu melhor
porque não basta acreditar.
É preciso agir!
E a raíz do futuro
está dentro de ti;
todas as escolhas
estão, sempre, nas tuas mãos!

* Embora esta revista esteja associada a uma corrente religiosa (que não apoio mas aceito), essa ligação não condicioana os artigos interessantes, diversificados, e sempre pautados por uma elevada qualidade.

14/07/2007

Licença para aprender

Ainda não assimilei perfeitamente o fim iminente da faculdade... talvez seja o medo do Peter Pan a entrar em mim... :)
E pensar que passei toda a adolescência a sonhar com esse momento!! Agora que estou à beira de o concretizar dou por mim a dizer: "Não, afinal não quero; tempo volta para trás!"
A dúvida e a incerteza características da novidade já me deixam de olhos em bico... afinal de contas, é sempre mais fácil permanecer numa situação cómoda do que alterar toda uma rotina estabelecida durante anos a fio. O medo da responsabilidade... uuuuu spooky!
Para mim é como deixar uma segunda casa, literalmente! Ou não passasse mais tempo na faculdade do que em qualquer outro sítio: 12horas diárias, 5 dias por semana, 4 semanas por mês, 10 meses por ano...


Mas mais do que qualquer outra coisa, sinto um aperto no coração só de pensar em afastar-me das minhas 6 companheiras mais maravilhosas (deviam ser 7 né?) que tanto me aturaram ao longo destes anos... nos choros e nos risos, nas boas e menos boas notas, nas conferências, nos almoços no refeitório... agora até já na macrobiótica! (dia após dia, algumas queixam-se que a comida é "isto e aquilo", mas sempre voltam a comer! hehehe); nos jantares, na praia... e brevemente na tenda!

Estas rotinas serão alteradas por outras novinhas, fresquinhas e, quiça, bem melhores... mas só de pensar... :S
Fazendo uso "não autorizado" das palavras da minha 7ª maravilha, a Joana Castro:
«É como se estivesses no cimo de um rochedo e viesse um enorme vendaval. Quando estás prestes a cair sobre a onda que te levará a novo rumo, tentas equilibrar-te de novo no rochedo.
O rochedo é estabilidade, segurança e certeza.
A onda simboliza a mudança, a responsabilidade absoluta e acima de tudo, simboliza o momento em que terás de provar o teu valor.»

24h de ouro

Em cada manhã te são entregues vinte e quatro horas de ouro. São uma das poucas coisas neste mundo que estão livres de impostos. Se tivesses todo o dinheiro do mundo, não poderias comprar nem mais uma hora. Que farás com tão valioso tesouro? Lembra-te, tens de o usar, pois só te é oferecido uma vez. Se o desperdiçares, não o poderás recuperar.

in Uma Viagem Espiritual

Um olhar sem visão

Ainda estou a tremer. Nem sei se foi de correr ou da insegurança que senti.
Hoje decidi sair na estação de Campolide... pensei que o autocarro já estaria mais vazio por causa das férias ecolares e não me enganei.
Mal saí da estação encontrei uma senhora cega, completamente perdida entre a paragem dos autocarros e a estação de comboios. Perguntei-lhe se queria ajuda, ao que ela me respondeu: "vou para a estação"; perguntei-lhe qual a direcção. "Setúbal" foi a resposta.
Vi o comboio a chegar naquele instante. "Já está perdido", pensei, enquanto exteriormente continuei a tentar fazer alguma coisa de útil. Enquanto a guiava, fazia sinais ao maquinista e ao segurança para aguardarem.
Sempre alertando-a dos degraus e espaços vazios onde poderia facilmente cair, a senhora conseguiu, finalmente, embarcar rumo a Setúbal. Ufa!
Agradeceu-me e eu redistribui o agradecimento por aqueles que esperaram por ela. Só tive tempo de dizer "bom dia" antes de as portas se chegarem.
Volto a correr para o autocarro. E agora que me aconcheguei no banco, não posso deixar de pensar na vida desta senhora que é cega... uma vida que não conheço mas tento imaginar...


Sentirá medo e insegurança como eu penso que sentiria se estivesse na pele dela?
O que é para ela a beleza? E a fealdade?
E a cor azul, do mar e do céu?

10/07/2007

Ágape

do Lat. agape < Gr. agápe, amor, afeição


-» Amar a Deus, o próximo e até o inimigo.


Conseguirei um dia?
Todos os dias tenho de reaprender a acreditar em Deus...

02/07/2007

Jacarandás



7h30. Passo no Marquês de Pombal a correr. Avisto os jacarandás que enfeitam o local.


Hoje não sinto a alegria de outros dias. Hoje não sinto a doçura daquelas árvores.


A tristeza, que ameaçou entrar sem bater à porta, já se instalou na minha mente.


Olho para aquelas árvores robustas e, ao contrário do que havia acontecido durante os dois meses anteriores, vejo que as flores lilases que as cobriam estão agora caídas, espalhadas pela calçada...


"Desnudaram-se", penso eu. Despojaram-se do mais precioso que tinham: a cor e o cheiro. Voltaram a ser aquilo que foram durante o resto do ano: árvores. As flores foram a excepção, o bónus concedido pela Primavera.


Não consigo deixar de me sentir como se me tivessem roubado a jóia mais valiosa...


Recordo as palavras do Daniel Sampaio (aquando do fim da revista Xis): o que é bom não dura eternamente.


Bem sei que se assim fosse talvez deixasse de o valorizar... e, portanto, é melhor prevenir!


Resta-me a esperança de que para o ano cá estarei para apreciar estas belas ávores robustas carregadas de lilás... nessa altura voltarei a sorrir e a contemplar a sua perfeição.